São Paulo, 07 (AE) - Os assaltantes Carlos Eustáquio Ferreira Mafra, de 45 anos, condenado a 23 anos, e Percival Aparecido Gregório, de 45, condenado a 26, acusados do sequestro de gerentes e tesoureiros de bancos, foram presos na manhã de hoje na agência do Banespa da Avenida Adolfo Pinheiro, em Santo Amaro, na zona sul da capital.
Três cúmplices conseguiram fugir. Os dois ladrões, com duas pistolas automáticas, desarmaram os vigilantes Geraldo Pereira dos Santos, de 29 anos, e Gilson Vicente da Silva, de 33, da empresa Vanguarda Segurança. Depois, forçaram o supervisor da agência, Masami Bagara, de 35, a entregar o dinheiro do cofre.
Mostraram fotografias da fachada da casa do funcionário do banco e de outros bancários. Alegaram que suas famílias eram mantidas reféns pelo restante da quadrilha. Se o dinheiro não fosse entregue, todos morreriam.
Os ladrões não contavam com a chegada dos soldados Demerval Ignácio da Silva Fernandes e João Batista das Neves, alertados pelo Centro de Operações da PM. O alarme do banco tinha disparado.
Mafra, conhecido pelo apelido de Lady Mafra, e Gregório ameaçaram matar os vigilantes, se os militares entrassem na agência. Com a chegada de outros seis soldados, os ladrões decidiram libertar os reféns, puseram as mãos sobre a cabeça e pediram para não ser mortos. Gregório estava com uma automática calibre 380 e Lady Mafra com uma 7,65.
Ele carregava uma mochila cinza e uma pasta preta. Dentro da pasta estavam as fotos da fachada das casas dos funcionários do Banespa, um celular, um par de luvas pretas e dois pentes com munição de calibres 7,65 e 380.
Condicional - Os assaltantes contaram aos policiais que estiveram cumprindo condenação no Presídio de Franco da Rocha e estavam em liberdade condicional havia alguns meses. Os ladrões afirmaram que receberam de alguns amigos informações dos funcionários do Banespa e fizeram o levantamento nos últimos dias.
Para forçar a entrega do dinheiro, blefaram quanto ao sequestro das famílias. "A gente mentiu, porque achou que o gerente daria o dinheiro sem problemas e ninguém havia sido sequestrado", adiantou Lady Mafra.
Os funcionários do banco citados telefonaram para suas casas e constataram que tudo estava bem. Os dois ladrões foram autuados na Delegacia de Roubos a Banco por tentativa de assalto e porte ilegal de armas. O delegado Ruy Ferraz Fontes acredita que, com essa prisão, poderá esclarecer vários casos de sequestro de funcionários de bancos e seus parentes.
Entre os objetos encontrados na pasta preta de Gregório os investigadores acharam uma folha de papel com um croqui indicando nomes de ruas e a placa de um Monza. Os policiais souberam que os assaltantes pretendiam sequestrar uma chinesa com escritório no bairro da Liberdade, que compra e vende dólares. O croqui indicava o roteiro desde a saída dela do escritório até a residência.

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