Assaltantes roubam cabelo de vendedora em ônibus
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Clarissa Thomé<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A vendedora Mirna Marchet, de 22 anos, teve a maior parte do cabelo roubado dentro de um ônibus da linha 928 (Marechal Hermes-Ramos, na zona norte) na noite de terça-feira. Ela foi a única passageira abordada por três assaltantes, um deles armado com um revólver. Um dos homens fez um rabo-de-cavalo em Mirna e cortou os cabelos da moça, que estavam na altura da cintura. Os homens também levaram a bolsa e o celular da vendedora.
Mirna havia acabado de sair do trabalho, no Shopping Carioca, em Vicente de Carvalho, na zona oeste, com uma amiga. Ao passarem na Avenida Lobo Júnior, na Penha, um dos rapazes anunciou o assalto, enquanto outro roubava sua bolsa e o terceiro segurava seu cabelo com força. ''Minha amiga tentou impedir, mas foi agredida com a tesoura. Ele ajeitou meu cabelo três vezes e cortou de uma só vez'', contou a vendedora, que está muito traumatizada.
''Estou muito triste com isso tudo. Nem me olho no espelho'', comentou a moça, que vai cortar novamente o cabelo. ''O ladrão sabia o que estava fazendo e as pessoas dizem que o corte não ficou ruim, mas acho que querem me agradar''.
O caso está sendo investigado pela 22 Delegacia de Polícia (Penha). Gerente há 30 anos de uma das lojas Perucas Lady, empresa que está no mercado desde a década de 60, Kátia Amorim acredita que o crime foi encomendado. ''Isso é encomenda. Alguém vai fazer interlace (alongamento) e pediu o tipo de cabelo que foi cortado. O bandido vai vender por no máximo R$ 50 e o cabeleireiro vai cobrar R$ 500 pelo serviço. As pessoas devem procurar profissionais respeitados para não fomentar esse comércio ilegal'', observou.
Segundo ela, as Perucas Lady compram de fornecedores confiáveis do interior de Minas Gerais e de Mato Grosso. ''No Rio, os cabelos são muito estragados por causa da praia e do sol''. Ela explicou ainda que o corte para peruca é feito aos poucos, por mechas, para aproveitar o máximo o cabelo. Solange Fiszpan, dona da rede Fiszpan, que produz e vende perucas, disse que a empresa já não compra mais cabelo natural. ''Por precaução tomamos essa medida. Hoje usamos uma fibra sintética que tem melhor aceitação e caimento bonito. É uma tendência internacional''.
Esse é o segundo caso de roubo de cabelo no Rio de Janeiro, em menos de um mês. Em dezembro, uma jovem teve o cabelo cortado dentro de uma lanchonete, na Ilha do Governador. Ela não registrou queixa.


