Assaltantes libertam reféns e se entregam no PR
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 22 (AE) - Terminou hoje, por volta das 10h, o sequestro de duas meninas e uma mulher em Bocaiúva do Sul, a 35 quilômetros de Curitiba. Elas foram tomadas como reféns por três assaltantes, que se entregaram à polícia depois de 18 horas de tensão e tentativas de negociação. Eles foram presos e indiciados por formação de quadrilha, assalto a mão armada e sequestro. Os bandidos foram surpreendidos ontem (21) à tarde quando roubavam o Banco do Estado do Paraná (Banestado). Na troca de tiros com a polícia, um deles foi morto e os outros entraram na residência da família Piovezan.
Uma das reféns, Suziane Santos Piovezan, de 10 anos, foi libertada por volta das 22h de ontem, depois da chegada do advogado da família Piovezan, Luiz Roberto Biora. A intenção, segundo ele, era tentar a troca por um adulto, mas os assaltantes decidiram liberá-la. As outras duas reféns, Viviane Santos Piovezan, de 13 anos, e a empregada da casa, Alzira Cardoso Domingues, de 32 anos, foram libertadas pela manhã.
Logo após o fim do sequestro, as duas foram medicadas e levadas para a casa de uma tia das meninas. A médica que atendeu as reféns, Maria Indiamara, disse que todas estavam passando bem
apesar de assustadas. Os parentes das reféns que estiveram hoje pela manhã na residência disseram que o momento mais difícil foi do início do sequestro até a libertação de Suziane."Depois a gente já se tranquilizou, sentimos que ia ter negociação e eles iam se entregar", disse uma das tias das meninas. As reféns não foram feridas.
Rendição - O fim do sequestro começou a se desenhar pela manhã, com a chegada do delegado-chefe da Polícia Civil, João Képes de Noronha, e do secretário de Estado da Segurança Pública
Cândido Martins de Oliveira. O delegado conversou com os sequestradores e a rendição foi acertada, com a garantia de segurança dada pela polícia. "A polícia agiu com prudência e cautela", elogiou o secretário. Segundo ele, o aparelho técnico da polícia e o preparo dos policiais foram decisivos para a solução do caso.
O primeiro a sair foi o líder e porta-voz do grupo, Luciano Fernandes Cordeiro, de 27 anos. A polícia havia deixado no pátio da casa três algemas e dois capuzes. Ele foi com Viviane até onde estavam os objetos, entregou a ela a arma, que foi colocada no chão. A menina pôs as algemas em Cordeiro, que se entregou aos policiais sorrindo. Ele é suspeito de ter participado de um assalto à mão armada em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.
Depois apareceram os outros dois assaltantes, Manoel José França, de 25 anos, e Divonei Marcondes Domingues, de 21 anos, que já tinham passagem pela polícia, acompanhados de Alzira, que trazia duas armas. Eles colocaram os capuzes e ela os algemou. Em entrevista concedida no Presídio Provisório do Ahú, em Curitiba, Cordeiro disse que tinha tentado roubar o banco por causa de sua situação financeira.
Familiares - A mãe das crianças, Sônia, foi hospitalizada ontem à noite, com crise nervosa. Alguns dos parentes das meninas tomadas como reféns disseram que a tranquilidade demonstrada por Suziane surpreendeu seus pais e os avós. Uma das tias de Sônia, Ilza Biora, que mora perto, disse ter visto os assaltantes quando fugiam da polícia e ficou com medo que entrassem na casa de algum parente.
O pai das crianças, o comerciante Luiz Hamilton Piovezan
ficou no local do sequestro até o início da noite. O marido de Ilza Biora, João Souza, disse que a cidade, de 8 mil habitantes, está perdendo a tranquilidade."É lamentável que ocorra com a família da gente, mas estamos sujeitos a isso", disse.


