Assaltantes fortemente armados assaltam prédio de luxo na zona sul de SP9/Mar, 20:26 Por José Gonçalves Neto São Paulo, 09 (AE) - Equipados com aparelhos celulares e rádios, dez assaltantes invadiram, ontem, o edifício de luxo Penthouse, na Rua Diego de Castilho, no Morumbi, zona sul de São Paulo. Fortemente armados - um deles com uma metralhadora - mantiveram 20 pessoas como reféns por quase duas horas. Roubaram jóias, dólares, celulares e uma BMW preta blindada, avaliada em R$ 120 mil. Apesar de o prédio ter um sistema interno de vídeo, o assalto não foi gravado, porque não havia fita no equipamento. Cinco dos 13 apartamentos do prédio foram assaltados, mas só três proprietários registraram o boletim de ocorrência. Nenhum deles foi capaz de fazer um retrato falado ou de reconhecer fotos dos suspeitos no 89.º Distrito Policial. "Pediram para não olhar para a cara deles e, por isso, fiquei de cabeça abaixada", disse uma das vítimas. Corretores - O assalto começou por volta das 16 horas. Dois homens de terno identificaram-se como corretores de imóveis e convenceram o porteiro a deixá-los entrar. Segundo o funcionário eles sabiam qual apartamento estava à venda e até apresentaram um cartão da imobiliária. Assim que entraram, eles apontaram pistolas automáticas para o porteiro e chamaram seus cúmplices, que estavam a poucos metros dali. Deixaram dois homens na guarita de entrada e seguiram para a garagem, onde estava o zelador Gérson. Usando o zelador como "isca", subiram aos apartamentos e iniciaram o roubo. Ameaças - Assim que os moradores abriam a porta, eles entravam com violência. Com armas, ameçavam matar quem reagisse ou olhasse e cortavam os fios de telefone. "Nos amarraram, pediram para que ficássemos de cabeça baixa e disseram só estar interessados em dólares e jóias", disse o advogado que teve sua BMW roubada. Em seu apartamento, outros moradores e empregados do prédio - até uma criança recém-nascida - foram reunidos. "Não me importei com o roubo, mas tive medo, por causa das crianças". Enquanto isso, outra parte do grupo dava voltas em torno do prédio para vigiar o movimento. Quem passava pela portaria era dominado. Fernando, um entregador de cosméticos, chegou por volta das 17h15, foi mantido preso no banheiro e teve seu celular roubado. "Quando entrei, pensei que fossem moradores, mas logo me agarraram e prenderam". Uma moradora disse que a ordem dos bandidos era para ficarem quietos por pelo menos 40 minutos após o fim do assalto. Investigação - Por enquanto, os moradores e empregados não têm colaborado muito nas investigações. Segundo a delegada titular do 89.º Distrito Policial, Iraci Medeiros Teixeiras, as vítimas não se mostram muito dispostas a depor. Para a delegada, o crime pode ter ocorrido por ingenuidade dos empregados do edifício. "Eles pensaram que - por estarem de terno - eram pessoas importantes e ficaram com medo de criar problema ao dificultar a entrada de estranhos". Segundo Iraci, esta é a primeira vez, desde que tomou posse há um ano e meio, que esse tipo de ocorrência é registrado.

mockup