Três assaltantes, segundo a polícia, mantiveram ontem 22 pessoas como reféns durante quatro horas e meia numa agência bancária em São Gonçalo, a 35 Km do centro do Rio. O crime aconteceu na véspera de se completar um mês do sequestro do ônibus da linha 174 na zona sul do Rio, que deixou uma refém e o sequestrador mortos.
O assalto à agência do Unibanco começou às 13h30 e terminou às 18 horas, quando os quatro bandidos se entregaram à polícia e libertaram os reféns. Dois homens que também participaram do assalto conseguiram fugir antes da chegada da polícia.
Durante a tarde, a agência chegou a ser cercada por mais de 100 policiais militares e o próprio comandante da PM, Wilton Ribeiro, conduziu as negociações no local. Ribeiro assumiu o cargo após a sequestro do ônibus 174, cujo fim trágico levou à demissão de seu antecessor, Sérgio da Cruz.
O suboficial da reserva do Exército Pedro Gomes de Oliveira, 69, um dos reféns libertados, disse que os criminosos tinham acabado de assaltar o banco e iam fugindo com o produto do crime quando chegou a polícia. Para não serem presos, tomaram como reféns os clientes e os funcionários da agência, num total de 32 pessoas.
Centenas de curiosos, entre eles muitas crianças - a escola municipal Ernani Faria fica a 200 metros de distância do banco - cercavam a área.
Uma repórter da TV Record conseguiu falar com um dos assaltantes por telefone celular. No diálogo, o assaltante, que se identifica como Márcio, deixa claro que o grupo não queria abrir mão da fuga e também não queria ferir os reféns.
‘‘Isso aqui é consequência da vida, entendeu? A vida nos traz isso. Não queremos machucar ninguém, queremos liberdade, sair tranquilo’’, disse.
Márcio afirmou ainda que temia que os soldados do Bope (Batalhão de Operações Especiais) atirassem contra eles e acabassem matando ‘‘gente inocente’’. ‘‘Sei do sofrimento que vamos ter dentro da cadeia. Pra ficar preso, eu prefiro morrer. Então, nós queremos nossa liberdade. Ninguém aqui foi ferido. Ninguém aqui foi maltratado. Nós não queremos botar a vida de ninguém em risco’’, encerrou.
Logo depois chegaram ao banco a irmã de um dos assaltantes e a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Gonçalo, Celuta Ramalho. ‘‘Eles querem garantia de vida’’, afirmou o coronel Lourenço.

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