Um casal de comerciantes viveu mais de duas horas e meia de horror na madrugada de ontem, durante assalto no bairro Atuba, em Curitiba. Sob a mira de revólveres, o casal foi espancado, teve a residência revirada e foi obrigado a servir comida aos assaltantes, antes de um deles estuprar C., 27 anos. Durante o estupro, N., 41 anos, marido de C., ficou com uma arma encostada na cabeça.
Pouco depois do crime, a polícia prendeu em flagrante Clenildo de Lázaro Batista, 18 anos. Batista, que está preso no 5º Distrito Policial, foi identificado como um dos assaltantes. O outro, seria Josildo Portela, que está foragido.
N., que pediu para não ter seu nome e o da mulher divulgados, disse que os dois assaltantes o renderam por volta das 23h30, quando ele saía de um supermercado que pretendia inaugurar ontem. Como não tinha dinheiro consigo, o comerciante foi levado para sua casa, que fica na frente do supermercado, na qual estava sua esposa. Depois de revirar a residência, os assaltantes obrigaram o casal a lhes servir comida. ‘‘Eles foram calmos, muito frios o tempo todo’’, contou. ‘‘Parecia que estavam drogados.’’
Abatido, o comerciante não abriu o mercado ontem e estuda a possibilidade de não fazê-lo. Ele reclamou do aumento da violência no bairro, principalmente de assaltos semelhantes ao seu. ‘‘A coisa está degringolada. Depois das 20h30 não dá para sair de casa’’, disse. A falta de um posto policial, segundo N., agrava o problema. O destacamento mais próximo está a cinco quilômetros. ‘‘Precisamos de um posto policial aqui no bairro’’.
Até o meio-dia de ontem, Portela não havia sido preso. Segundo N., ele reside na Vila Esperança, no bairro Atuba, e a polícia já teria o endereço de sua casa. O delegado do 5º Distrito Policial, Luiz Gonzaga, não foi encontrado pela Folha ontem.
Ubiratã Cinco homens armados, encapuzados e usando luvas roubaram um trator e uma caminhonete, além de jóias, eletrodomésticos e galões de óleo lubrificantes de uma fazenda em Ubiratã (96 km a sudoeste de Campo Mourão), numa ação que demorou quase sete horas. Os assaltantes chegaram à fazenda de José Antônio Cocoletto, a 16 quilômetros da cidade, pouco depois das 20 horas de quinta-feira e só saíram às 3 horas de anteontem.
O assalto começou assim que Cocoletto e a mulher saíram para jantar. Os assaltantes, usando uma escopeta e um revólver, renderam os dois filhos menores do casal e um casal de caseiros. Quando Cocoletto voltou, às 22 horas, eles já haviam se apossado de três armas - um revólver, uma carabina e uma espingarda - do fazendeiro. Cocoletto recebeu uma coronhada na cabeça assim que saiu do carro.
Eles levaram um trator Valmet 292 ano 93, uma caminhonete F-1000 preta, 1988, placa AHW-4099 (Ubiratã), carregada com óleo lubrificante, um videocassete, dois aparelhos de som, roupas e jóias. As duas crianças, os caseiros, Cocoletto e a mulher ficaram trancados num quarto.
Antes de irem embora, os assaltantes ainda desligaram os telefones da fazenda e murcharam todos os pneus de outros três carros do fazendeiro. ‘‘Os assaltantes fizeram um trabalho de quadrilha profissional’’, diz a delegada de Ubiratã, Tany Amarante Razzera. Segundo a delegada, foi o primeiro assalto à mão armada em Ubiratã desde que ela chegou à cidade, há quatro anos.

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