São Paulo, 11 (AE) -O gerente de Operações da Telefônica Claudio Campos Gonçalves, de 44 anos, foi assassinado com um tiro no abdome no hall do 1.º andar do Hotel Embaixador, na Rua Bernardino de Campos, no Paraíso, zona sul de São Paulo, durante assalto ontem (10) à noite.Gonçalves morava na cidade de Santos e estava hospedado em São Paulo a trabalho. O roubo e a ousadia do assaltante - que chegou a manter quatro hóspedes como reféns - foram gravadas pelo circuito interno de vídeo do hotel. A fita que mostra o rosto do assassino está com a polícia.
Eram 20h30 quando o gerente chegou na recepção do hotel com suas bagagens. Como já é cliente, Gonçalves pediu à recepcionista que guardasse suas coisas e as colocasse no quarto
enquanto parava seu veículo em um estacionamento próximo do local. Minutos após a saída do gerente, o assaltante, armado com um revólver calibre 22, entrou e anunciou o roubo à recepcionista Maria de Oliveira, de 31 anos.
O ladrão, um rapaz jovem, magro, de olhos e cabelos escuros, roubou da recepção R$ 200,00 em dinheiro, um cheque no valor de R$ 35,00 e uma fita, que ele pensava ser do circuito interno de segurança, mas estava vazia. Ele também pediu o banco onde Maria estava sentada para tentar arrancar a câmera de vídeo
mas não conseguiu. Em seguida, obrigou a recepcionista a subir com ele para os quartos na intenção de buscar mais dinheiro. Na escadaria, o assaltante encontrou quatro hóspedes que estavam descendo. Todos foram roubados e trancados em um quarto. Ao todo
foram R$ 102,00 e três celulares.
Fuga - O hotel possui dois andares. Depois de trancar os reféns, o criminoso aproveitou para verificar o que havia nos quartos do último piso. Nesse instante, o gerente - que não imaginava que o local estava sendo assaltado - resolveu subir para o seu quarto, que ficava no primeiro andar, justamente no momento da fuga do ladrão. No primeiro andar, o gerente foi baleado. O assaltante aproveitou para fugir a pé.
A Polícia Militar foi chamada. O gerente chegou a ser levado para o Pronto-Socorro do Hospital Vergueiro, mas não resistiu ao ferimento e morreu às 21h15. O crime foi registrado no 36.º Distrito Policial, no Paraíso. "Estamos ouvindo todas as testemunhas e já pedimos ao Instituto de Criminalística que faça uma cópia da fita", afirmou o delegado-titular, Silvio Balangio Júnior. "Pedimos às pessoas que reconhecerem o criminoso pela ruas que passem informações pelo telefone 884-4229."
Segurança - Na manhã de hoje o proprietário do hotel, Narciso Ortega Afonso estava indignado com a tragédia e com as autoridades. "Vivemos em um País sem segurança", desabafou. "Nos países onde há guerra você sabe que pode morrer a qualquer momento, aqui não é diferente", disse Afonso. "Aqui, saímos de casa e não sabemos se vamos voltar para nosso lar, apesar das autoridades afirmaram que a situação está controlada."
Para Afonso o que mais revolta é a falta de segurança. "Estou a poucos metros da avenida e do shopping Paulista; se aqui está assim não quero imaginar como é o policiamento no Jardim ¶ngela", disse. "Agora o que posso fazer é trabalhar, pois tenho contas e funcionários para pagar." Hoje os 28 quartos do hotel estavam vazios. "Os hóspedes que estavam aqui foram embora assustados", contou.
O gerente de Operações da Telefônica frequentava o hotel há dois anos, segundo o proprietário. "Quando ele vinha para São Paulo, ficava no hotel, por isso, já conhecia todos os funcionários e o funcionamento daqui", lembrou Afonso."É muito duro conviver de perto com tanta violência."
O corpo do gerente foi levado para o Instituto Médico-Legal (IML) da Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini. O corpo foi liberado na manhã de ontem e levado para Santos, onde será enterrado hoje às 21 horas, no MemorialNecrópole Ecumênica .
Chorando muito, a mulher de Cláudio Campos Gonçalves, Valéria, evitou comentar o assassinato do gerente da Telefônica. Amigos e parentes contaram que Gonçalves tinha optado por se hospedar na capital, onde permanecia de segunda a sexta-feira, pensando justamente na sua segurança, a fim de evitar viagens diárias no Sistema Anchieta-Imigrantes. Ele estava em São Paulo desde novembro.O casal não tinha filhos e morava no bairro da Ponta da Praia, em Santos.

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