Assaltante mata bebê refém a facada
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Fernanda da Escóssia Agência Folha Rio de Janeiro 
Depois de entrar numa casa para assaltar e de manter um bebê de 7 meses como refém por cinco horas, o desempregado Esmeraldo Paes Leal, de 36 anos, matou a criança cortando-lhe o pescoço com uma faca. O crime aconteceu ontem em Tanguá (a 65 km do Rio) e chocou a cidade. Por duas vezes, ao ser preso e ao ser transferido da delegacia, Leal escapou de ser linchado por moradores.
Às 5 horas, a doméstica Eliane da Conceição, 28 anos, dormia com os cinco filhos no quarto quando Leal invadiu a casa. Pouco antes, ele tentara assaltar um sítio, mas fora expulso a tiros pelo caseiro. O marido de Eliane, Paulo César do Nascimento, trabalha como porteiro e não estava em casa. Desarmado, o assaltante pegou na cozinha uma faca de cortar pão, ameaçou Eliane e os filhos e disse que mataria as crianças caso ela chamasse a polícia.
Eliane lutou com o assaltante e conseguiu fugir. Foi até a casa de parentes e chamou a polícia, que cercou a casa. Leal pediu a presença de um padre e de jornalistas para começar a negociar. Quando os jornalistas e o padre chegaram, Leal se recusou a conversar. Não exigia carro nem dinheiro para fugir, só dizia que queria ir embora vivo e pedia que a polícia não o matasse. Repetia que estava desempregado e não tinha o que comer.
O marido de Eliane chegou do trabalho e encontrou a multidão em volta da casa. A 6ª CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar) pediu reforços e mais de 20 policiais cercaram o local. Do lado de fora, um médico, um padre, policiais, os pais da criança e até o prefeito da cidade tentavam convencer o assaltante a se render. Aos poucos, Leal libertou três das crianças - Paulo Roberto, de 6 anos, Adriano, 4, e Natália, de 2 - e manteve como reféns Adriana, de 9 anos, e Mateus, 7 meses. Com a faca, Leal ameaçou matar a garota e fez arranhões em seu pescoço, mas libertou a menina em seguida.
Contagem fatalO rapaz ficou com o bebê nos braços e apertava constantemente o pescoço da criança. Pouco depois das 10 horas, Leal disse que contaria até 20 e mataria o bebê. Ao final da contagem, enfiou a faca no pescoço do garoto e jogou o corpo no berço. Cinco policiais invadiram a casa e prenderam Leal em flagrante.
O médico Moisés Soares Filho, que participou das negociações, socorreu o bebê e o levou ao hospital da cidade, mas ele não sobreviveu à hemorragia. Quando souberam que o garoto morrera, cerca de 100 pessoas que cercavam a casa espancaram Leal e tentaram linchá-lo. A polícia não permitiu e teve que dar tiros para o alto para dispersar a multidão.
Eliane do Nascimento, mãe do bebê, entrou em choque e foi para a casa de parentes. Disse que não conhecia o assaltante e que não entendeu por que ele não levou tudo, deixando o bebê vivo. Foi horrível, afirmou. Mateus será enterrado hoje.
Leal foi levado até a 71ª Delegacia de Polícia, no município vizinho de Itaboraí, e lá prestou depoimento. Por duas vezes, tentou se jogar da janela do segundo andar do prédio, mas foi impedido por policiais. A delegacia foi cercada por moradores revoltados com o crime, e a PM pediu reforços para evitar a invasão do prédio.
À tarde, Leal foi transferido para o Hospital Antônio Pedro, em Niterói (a cerca de 15 km do Rio) para ser medicado. Mais uma vez, moradores tentaram linchá-lo.


