Depois de viver 31 anos no Brasil, o assaltante inglês Ronald Biggs, de 71 anos, que participou, em 1963, do assalto ao trem postal Glasgow-Londres, deixou ontem o País rumo à Inglaterra. As autoridades britânicas anunciaram que pretendem prender Biggs tão logo ele desembarque, mas os advogados dele ainda pretendem negociar um pedido de indulto. Antes do embarque, o assaltante prestou depoimento à Polícia Federal (PF), informando estar viajando por livre e espontânea vontade.
Biggs viajou num avião do tablóide inglês ‘‘The Sun’’, que teria pago ao assaltante mais de US$ 500 mil - segundo o advogado do assaltante, Wellington Mousinho - para ter exclusividade em entrevistas e o direito de o acompanhar até a Inglaterra. Biggs viajou acompanhado de dez pessoas, entre elas, o filho Mike, ex-integrante do grupo Balão Mágico, o comparsa dele no assalto Bruce Reynolds, o médico particular Ricardo Mourilhe Rocha e jornalistas do ‘‘The Sun’’.
A pedido das autoridades policiais brasileiras, Biggs prestou um termo de declaração antes de deixar o País, afirmando estar saindo espontaneamente do País. Informou também ter consciência de que está indo para a Inglaterra e de que será preso ao chegar lá.
O assalto ao trem pagador que seguia de Glasgow, na Escócia, a Londres durou 28 minutos e rendeu 2,6 milhões de libras aos 15 membros da quadrilha de Biggs. No dia 8 de agosto de 1963, o grupo deteve o trem em Cheddington, a 60 km de Londres, alterando a sinalização de um semáforo da ferrovia. Quando um dos maquinistas desceu para pedir explicações foi rendido. O grupo levou os 120 sacos com dinheiro para um caminhão e fugiu para uma fazenda, onde dividiu a quantia. Dias depois, a polícia descobriu o esconderijo abandonado, encontrou impressões digitais e identificou os assaltantes. Toda a quadrilha foi presa, mas apenas 360 mil libras foram recuperadas. Os 15 integrantes foram considerados culpados e sentenciados a uma pena que, somada, ultrapassava 300 anos. Biggs não foi o único a escapar da prisão. Em agosto de 65, seu comparsa Charles Wilson também fugiu -foi detido três anos mais tarde, no Canadá.

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