O presidiário fugitivo mais procurado da história, o inglês Ronald Biggs permaneceu 31 anos no Brasil sem documentos e em situação ilegal, disse ontem a porta-voz do ministério da Justiça, Luzia Carneiro. ‘‘A situação dele no Brasil era ilegal porque ele nunca se interessou em requerer cidadania e o visto de entrada dele estava caduco há muito tempo’’, disse Carneiro.
Apesar disso, ele podia permanecer no País, onde desembarcou há 31 anos, porque tem um filho nascido no Brasil, o que lhe valeu que as autoridades brasileiras negassem a extradição dele em duas ocasiões.
A primeira porque, na época, o Brasil não tinha acordo de extradição com a Inglaterra, e na segunda, a Justiça do Brasil alegava que o crime que lhe era imputado em seu país já tinha prescrevido pelas leis brasileiras.
Biggs, de 71 anos e com uma saúde delicada após três derrames cerebrais, nos úlimos três anos, foi um dos autores do lendário assalto ao trem pagador que ia de Glasgow para Londres em 1963, na época o roubo equivalia a US$ 3,7 milhões.
Durante as três décadas que Biggs permaneceu no Brasil, primeiro levando uma vida de boemia e nos últimos anos, passando por dificuldades econômicas, as autoridades nunca lhe molestarm, sequer quando durante um dos julgamentos para processos de extradição, a polícia descobriu que ele estava sem papéis.
Domingo, quando o fugitivo decidiu embarcar de volta para seu país, a Polícia Federal simplesmente lhe pediu uma declaração escrita na qual ele alegou que deixava o País por vontade própria. (France Presse)

mockup