Rio Branco, 14 (AE) - O assaltante Francisco França de Freitas, conhecido como Del, assumiu hoje, em depoimento à Justiça do Acre, a autoria do assassinato do policial civil Jonaldo Martins, o que poderá pôr em risco a denúncia do Ministério Público Estadual e livrar o ex-deputado Hildebrando Pascoal da condição de mandante do crime. O MPE atribuiu o crime ao pistoleiro Raimundo Alves de Oliveira, o Raimundinho, que segundo outras denúncias atuou como executor em outros três homicídios atribuídos ao grupo de extermínio supostamente liderando por Hildebrando.
Del afirmou hoje ter matado Martins porque "na cara de homem não se bate". Se essa versão for provada em juízo, Hildebrando poderá acabar livre da acusação. O MPE atribuiu o assassinado ao grupo de extermínio supostamente liderado por Hildebrando, porque Martins teria surrado e disparados alguns tiros contra Itamar Pascoal - que foi assassinado por José Hugo, uma das vítimas no caso do mecânico Agílson Santos Firmino, o Baiano.
Além do homicídio, a acusação pede a condenação por formação de quadrilha. A execução de Martins teria ficado sob a responsabilidade de Raimundinho. Ele negou hoje ter assassinado Martins e disse que pode provar sua versão, pois estava internado no pronto-socorro da cidade, devido a uma crise renal. Os documentos da internação estariam em poder da mulher de Raimundinho, cujo nome não foi revelado, e serão entregues à Justiça por meio dos advogados de defesa.
O promotor estadual álvaro Pereira, um dos que assinaram a denúncia e acompanharam os depoimentos hoje, disse que o Código Penal prevê pena para réus que assumem a culpa por crimes para livrar outras pessoas. "Essa punição não está na lei por figuração", advertiu Peireira. Ele disse que questionar se a denúncia poderá ou não ser comprometida com depoimentos que a contradizem é "irresponsabilidade". "Nós acreditamos nas provas que temos e ainda estamos na fase de instrução, inicial do processo, e é normal que testemunhas sejam pressionadas, mas só podemos tomar medidas cabíveis se oficializarem essas pressões", justificou Pereira.
Três testemunhas de acusação na tentativa de homicídio praticada contra Walterlúcio Bessa Campelo, ex-secretário municipal de Finanças, disseram ter recebido ameaças durante o vôo de Brasília para a capital do Estado. Os promotores estaduais criticaram a decisão de colocar lado a lado no mesmo avião testemunhas de acusação e acusados.
O advogado de Hildebrando, Oscar Luchesi, disse que ele negou qualquer participação na morte de Martins. O acusado teria
também, reclamado do tratamento dos agentes da Polícia Federal durante a viagem a Rio Branco. "Eles não podiam nem falar nem olhar para o lado."

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