Buenos Aires, 10 (AE) - "A Argentina poderá crescer menos, mas não vai desvalorizar." A afirmação é de José Luis Machinea, o economista indicado para ser o ministro da Economia no caso de vitória da coalizão de oposição UCR-Frepaso nas eleições presidenciais de outubro.
Em declarações à imprensa brasileira, Machinea sustentou que "o ajuste será sempre a taxa de crescimento". O economista, que disse preocupar-se pelo alto desemprego e a exclusão social que vive o país, considera que "a pior parte do choque externo já passou. O Brasil está se recuperando e não vai desvalorizar de novo. Os índices mundiais estão melhorando, e com isso virá uma queda no dólar e maiores espaços para as exportações argentinas".
O provável futuro ministro afirmou que a criação de uma moeda única do Mercosul como opção para a conversibilidade argentina "não é a saída". Segundo ele, "a moeda única é uma meta, a cumprir em quatro anos ou mais. Mas não pode ser usada para tapar problemas porque senão terá uma vida muito curta".
Machinea rechaçou a proposta feita o candidato do governo, Eduardo Duhalde, de reduzir o Imposto de Valor Agregado (IVA) de 21% para 13%: "É uma loucura. O Estado argentino perderia US$ 6 bilhões com isso. Seria a falência da Argentina."
Analisando as recentes crises comerciais entre o Brasil e seu país, Machinea sustentou que será necessária uma "adequação" de diversos setores econômicos do Mercosul e estimular que os empresários encontrem soluções. Segundo Machinea, o bloco comercial precisa agora de um enfoque mais político "abandonado no governo Menem e que ajudará na integração econômica".
Além disso, afirmou que Brasil e Argentina devem renunciar a subsídios à produção "pelo menos para os produtos enviados para o mercado interno do Mercosul, embora pudessem ocorrer para produtos enviados para fora". No entanto, Machinea disse que será necessário pensar nas regiões pobres. "Da mesma forma que a União Européia aplica subsídios para as áreas mais necessitadas, Brasil e Argentina devem contemplar as diferenças regionais."
Recordando a instalação da fábrica da Ford na Bahia, que causou protestos argentinos, Machinea disse que a aplicação de estímulos em áreas pobres precisa ser estabelecida com anterioridade para evitar problemas. O economista disse admirar programas como o Proex, e afirmou que pretende instalar um similar no país.
O economista, de 53 anos, que foi presidente do Banco Central de agosto de 1986 a março de 1989, deixando seu cargo quando a hiper-inflação começava a escalada, afirmou que as duas grandes privatizações que ficaram sem fazer no governo Menem não serão realizadas: a hidroelétrica de Yaciretá, da qual parte da energia irá para o Brasil, e o Banco de La Nación. Este último, afirma, poderá ter participação privada, sendo transformado em uma sociedade anônima.

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