É um jogo de surdos, mas de silencioso não tem nada. Os gritos dos jogadores ecoam no ginásio Moringão em cada uma das jogadas e principalmente na hora dos gols. A torcida acompanha tudo e aplaude os atletas movimentando as mãos para o alto.
  Todos os movimentos dos jogadores são observados atentamente por dois árbitros, posicionados um em cada lado do campo. No lugar do apito, eles sustentam duas bandeiras (uma verde e outra amarela), que ajudam na marcação de cada lance. Gestos e sinais também chamam a atenção dos atletas, que garantem um bom espetáculo para a torcida, marcando muitos gols, logo na primeira disputa do dia.
  Os jogos realizados durante todo o sábado no Moringão, na Unifil e no Estádio da Portuguesa, fazem parte das comemorações dos 35 anos da Associação dos Surdos de Londrina. O evento, que teve apoio da Apadal (Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos) e da Sercomtel, reuniu cerca de 200 atletas de 12 cidades do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. Ao todo, dez associações de surdos participaram do evento.
  Os atletas competiram nas modalidades de futebol de salão, categorias masculino e feminino e futebol suíço, categoria masculina.
  A idéia, de acordo com Cleusa Camargo de Oliveira, secretária da Associação de Surdos de Londrina, é reunir os surdos para que eles possam trocar experiências e falar dos trabalhos desenvolvidos nas associações. Com ajuda da irmã Clarice Barbosa Vieira, que participa da Associação como intérprete, Cleusa explica que a Associação ajuda na interação dos surdos. Estamos sempre promovendo eventos, festas, para que eles estejam interagindo.
  Cleusa afirma que até hoje, o preconceito da sociedade é grande em relação aos deficientes auditivos, mas que eles lutam para conseguir vencer essas barreiras. Os surdos têm muita capacidade e estão lutando muito para serem valorizados.
  Entre as principais dificuldades, de acordo com Cleusa, está a barreira da língua. Poucas pessoas conhecem a Libras (Língua Brasileira de Sinais) e a comunicação é sempre difícil, explica.
  Apesar das dificuldades, os avanços foram grandes, ao longo dos anos. Hoje, segundo Cleusa, a associação tem apoio para conseguir colocar os surdos no mercado de trabalho, conseguir atendimento na área de saúde e promover a integração entre todos. Esse é o nosso objetivo maior.
  A festa contou com a realização de vários jogos e foi encerrada com um baile na AABB, que elegeu a Miss Atleta e garantiu a integração de cerca de 500 participantes do evento, entre associados e familiares.

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