Asiáticos voltam a comprar do Brasil
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Liliana Enriqueta Lavoratti 
Brasília, 21 (AE) - As exportações brasileiras para países asiáticos e a Rússia foram retomadas. As vendas externas para esses mercados estavam estagnadas desde as crises ocorridas no final de 1997 e 1998, respectivamente. Exportações para o Oriente Médio já vinham registrando recuperação e vêm alcançando bom desempenho junto aos Estados Unidos. Associado a este movimento, o País já restabeleceu as linhas de financiamento aos níveis anteriores à crise - 80% das vendas externas são financiadas com Adiantamento sobre Contratos de Câmbio (ACC).
Esses fatores positivos foram ressaltados hoje pelo secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento
Indústria e Comércio, Mário Marconini. "Tudo isso vai impulsionar as exportações no segundo semestre deste ano. O crescimento vai ser alavancado pelas exportações de semimanufaturados, que já apresentaram reação substancial, e dos manufaturados, que já não encontram dificuldades de financiamento", afirmou Marconini. "O aumento do volume das exportações vai compensar a queda de 33% dos preços médios dos produtos agrícolas e a redução das vendas para os parceiros do Mercosul e da América Latina, que no total foi de 38%", acrescentou.
As exportações cresceram 8,5% em maio deste ano frente ao mesmo mês de 1998 para a Coréia, Malásia, Indonésia, Tailândia e Filipinas e foram 10,6% maiores para os Estados Unidos. Segundo Marconini, foi isso que proporcionou o saldo positivo de US$ 312 milhões na balança comercial do País em maio. No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, o déficit comercial acumulado é de US$ 472 milhões (houve um ajuste estatístico no número anterior, de US$ 479 milhões), resultado de US$ 18,133 bilhões de exportações e US$ 18,605 bilhões de importações.
"A recuperação das economias emergentes asiáticas deverá afetar favoravelmente as exportações brasileiras de minério de ferro, celulose, semimanufaturados de ferro, aço e alumínio", afirmou o secretário. O crescimento de 63% das exportações brasileiras para o Oriente Médio, em maio, em comparação com o mesmo mês do ano passado, tem sido impulsionado pelas compras de óleo de soja e açúcar realizadas pelo Irã - que vem se posicionando como o principal comprador deste produto, adquirindo 65% do total exportado.
Também houve aumento de 156,9% das exportações de açúcar para os Emirados árabes e de 10,9% nas vendas de frango para a Arábia Saudita. O governo brasileiro está otimista em relação à demanda de bens brasileiros por parte do mercado europeu. "Vários elementos positivos para nossas exportações vêm ocorrendo na União Européia. Entre elas a recuperação da economia da Alemanha, traduzida pela queda do desemprego", disse Marconini. De janeiro a maio as exportações apresentaram bom desempenho ainda para o Reino Unido e Espanha, com crescimento de 5,2% e 24,5%, respectivamente, frente a igual período de 1998.
"O crescimento relevante das exportações para mercados importantes como os países asiáticos e Estados Unidos vão superar a queda dos preços dos principais produtos da pauta brasileira e o resultado será positivo no final do ano", afirmou Marconini. Ele acredita que a balança comercial apresentará um saldo positivo neste ano por volta de US$ 4 bilhões, frente ao déficit de US$ 6,4 bilhões do ano passado.
Marconini citou a volta das linhas de financiamento entre os fatores que vão ajudar a impulsionar as exportações no segundo semestre deste ano. Segundo Marconini, nos três primeiros meses deste ano as exportações poderiam ter sido até 20% superiores às realizadas, se houvesse crédito.
Em maio deste ano as linhas de crédito destinadas aos ACCs retornaram aos níveis anteriores à crise russa, quando financiavam 80% da pauta brasileira de exportações. "As taxas de juros cobradas nos ACCs, que chegaram a 13% em janeiro, também estão voltando ao normal, entre 8% e 9%, embora ainda acima dos 7% praticados no ano passado", acrescentou Marconini.
A Secretaria de Comércio Exterior estima que durante este ano o Brasil vai manter as exportações de produtos do agronegócio no mesmo nível de 1998 - US$ 10,6 bilhões. As projeções indicam que haverá uma forte redução no total exportado de açúcar (16,6%) e soja em grãos (14,5%), por causa da queda nos preços desses produtos, mas as vendas externas da carne bovina e de frango subirão 52,1% e 24,1%.


