Bangcoc, 13 (AE) - Michel Camdessus - que ficou por 13 anos à frente da direção-geral do FMI e deixou ontem o cargo - já visualiza um novo paradigma emergindo nas relações internacionais.
Mas o velho ainda persiste - e foi reduzido a cinzas por uma sucessão de líderes presentes à conferência da ONU.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, frisou que a reunião da OMC, em Seattle, não fracassou simplesmente por causa de tumulto nas ruas, mas por causa de brigas entre os próprios países industrializados.
"Seus governos em princípio favorecem livre comércio, mas não têm força política para confrontar aqueles dentros de seus países, que se apóiam em arranjos protecionistas", afirmou.
Annan espera ainda que esta conferência da ONU faça o possível para examinar como e também porque metade do planeta está excluído dos beneficíos da globalização.
E entre as principais razões, diz o secretário-geral, estão "estão as barreiras que países industrializados ainda colocam às exportações de países em desenvolvimento".
Mahathir Muhamad, o incandescente primeiro-ministro da Malásia
e crítico feroz do consenso de Washington, liderou os apelos, também expressos por Japão e Cingapura, para uma reforma profunda da arquitetura financeira internacional. No seu entender, essa seria a única maneira de proteger países em desenvolvimento de uma nova e perigosa crise.
Mahathir lamenta que países em desenvolvimento não participem efetivamente do processo de decisão nas instituições internacionais, e se declarou "assustado" com a mania de mega-fusões: "Uma situação de oligopólio global parece estar emergindo."
Na sua opinião, se as forças de mercado seguem seu livre curso
oligopólios podem terminar como monopólios. Para ele, uma corporação que não é um monopólio em seu próprio país de domicílio poderá certamente ser um monopólio no resto do mundo.
Goh Chok Tong, primeiro-ministro de Cingapura, insistiu que os países desenvolvidos "devem evitar um triunfalismo estéril ou uma receita do tipo um remédio cura tudo". Como todos os asiáticos, reiterou que deve prevalecer o consenso: "Unilateralismo só vai provocar resistência - e não apenas dos países em desenvolvimento."