O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, se disse otimista sobre a capacidade das economias asiáticas, atingidas pela crise financeira, embora tenha estimado que sua recuperação levaria cerca de dois anos.
‘‘Sou otimista’’ sobre as possibilidades de restabelecimento destes países ‘‘pelo vigor que têm’’, disse Iglesias em uma entrevista, em Montevidéu. Serão necessários para estas economias ‘‘cerca de dois anos antes de voltarem a tomar seu ritmo de crescimento’’, especificou.
Segundo Iglesias, o modelo asiático é agora ‘‘um modelo questionado’’.
‘‘Acredito que os mercados estiveram alertados em relação à Tailândia, que já desde o ano passado estava demonstrando certas fragilidades, mas o que se mostra ainda mais paradoxal é que os países asiáticos eram considerados exemplos de sucesso. A própria definição de tigres fez com que fossem vistos desta forma’’, disse.
Este modelo, explicou, está baseado em uma conexão entre os governos, as empresas e as entidades bancárias, e, uma grande disciplina social.
Sobre a crise, Iglesias disse que ‘‘no fundo, é um transbordar descontrolado do setor financeiro. Tem como fundamento um modelo onde havia três partes extremamente interligadas entre si: governo, empresas e entidades bancárias e uma aceitação pacífica da sociedade, que no fundo é um modelo asiático típico, com uma grande disciplina social’’.
Ele acrescentou que ‘‘com o rompimento do modelo e entrando no processo de ajuste convencional que opera nos mercados ocidentais, isto significa que o Estado continuará por sua vez regulando, os bancos vivendo sobre seus recursos e as empresas sendo também auto-sustentáveis. Isto rompe um esquema, com consequências políticas e sociais difíceis de prever’’.
A amplidão da crise levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a revisar este mês em baixa as perspectivas de crescimento da economia mundial.
A Coréia do Sul, um dos países mais afetados, crescerá apenas 2,5% em 1998, apesar de o FMI prever um crescimento de 6% há apenas dois meses.
O crescimento será nulo na Tailândia, um dos países apresentados até alguns meses como um dos ‘‘tigres’’ asiáticos.

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