ásia eleva-se novamente como uma fênix durante o século 20
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por J. L Hazelton 
Tóquio (AE-AP) - Do chá ao papel, da pólvora a AIBO, o robô cachorro, a ásia vem sempre repartindo suas invenções com o ocidente. E aceito os conceitos ocidentais como seus próprios, do capitalismo ao chips de computador.
Antigamente, ásia significava império, mongol, mandarim. Mais recentemente, japonês. Mas na aurora do século 20, a região era, em sua maioria, uma variada coleção de feudos. Sua estrutura, jóias e borracha drenada pelos mestres coloniais ocidentais.
Hoje, a ásia é o motor da economia mundial, junto com a Europa e os EUA. Abastecendo este motor está o Japão.
Há muito dinheiro aqui, muitas habilidades e muita gente faminta para que as economias da região fracassem. Porém, as taxas de crescimento de dois dígitos não devem continuar na medida em que a economia atinja a maturidade e pressões sociais e políticas tragam sobras financeiras.
Como uma região tremendamente diversificada, a ásia possui todas as religiões do mundo e suas culturas. Os níveis de desenvolvimento vão desde os últimos países comunistas, Coréia do Norte e Mianmar, a Estados fortemente ligados ao comércio como Hong Kong e Taiwan e à segunda nação mais rica do mundo, Japão.
A ásia viveu taxas de crescimento inacreditáveis porque abriu-se ao mundo exterior após a segunda guerra mundial. Os governos orientaram os setores industriais e os recursos e não restringiram pesadamente o capital privado.
"A mão invisível não estava em nenhum lugar para ser observada", como disse o economista Jagdish Bhagwati, da Universidade de Columbia.
As conquistas hoje em dia incluem altos níveis educacionais, a velocidade da revolução cibernética, particularmente nas comunidades chinesas além-mar, com o Japão ficando para trás, e abertura do comércio e do investimento, disse Kuniko Inoguchi, cientista político da Universidade Sophia em Tóquio.
Influências culturais e históricas deram à ásia oriental a liderança sobre a áfrica, América Latina e o Oriente Médio, argumentam alguns.
"Japão, Coréia e Taiwan foram capazes de criar Estados modernos que são razoavelmente pouco corruptos, razoavelmente profissionais e que enfocaram o crescimento econômico nacional sem deixar todo o dinheiro ir pelo cano", disse Francis Fukuyama, professor de política pública da Universidade George Mason.
Não foi o que aconteceu na maior parte dos países do sudeste asiático, disse Fukuyama, embora os britânicos tenham deixado Cingapura, Hong Kong e Malásia com uma burocracia bem estruturada.
A gigante Indonésia, por exemplo, teve 32 anos de desenvolvimento estável, porém repressivos, sob o tipo de capitalismo amigável de Suharto. Dezoito meses após sua queda, o país pode estar próximo a desintegração, com a votação pela separação do Timor Leste, revoltas em Aceh e em Irian Jaya e o nervosismo dos militares. Ainda assim, o país é rico em riquezas naturais e a democracia continua em alta.
"Em curto prazo, pelo menos, a situação parece assustadora"
disse Arief Budiman, professor de estudos indonésios da Universidade de Melbourne, Austrália. "Em longo prazo, a Indonésia tem potencial para ser um grande gigante".
Com toda a conversa sobre a recente crise econômica asiática, provando que o modelo ocidental é o verdadeiro caminho para o capitalismo, os países asiáticos devem continuar a misturar e a combinar seus paradigmas econômicos.
Por exemplo: "Companhias japonesas podem decidir operar com baixos índices de lucro e com mais compromisso dos seus empregados do que as firmas do ocidente", disse Ezra Vogel, da Universidade de Harvard. "Eles podem...adaptar-se às mudanças mundiais da mesma forma ou melhor do que as empresas do ocidente lideradas por acionistas mais comprometidos com os acionistas do que com os empregados".
Há problemas. Um deles é o que Brink Lindsey do conservador Instituto Cato de Washington chama de "capitalismo oco", camaradagem, monopólios e pesado planejamento central.
E questões ainda maiores estão sendo discutidas na ásia.
"Há muita tensão territorial, de fronteiras e de corrida armamentista", diz o historiador da Universidade de Yale, Paul Kennedy. "E continua a ser, fora da áfrica, o maior combinação de população e problemas ambientais".
A ásia também é um dos últimos bastiões mundiais do comunismo. "Nós continuamos a ter a península coreana dividida e Taiwan", diz Inoguchi. "A guerra fria não acabou realmente na ásia".
Enquanto os pequenos mas culturalmente mesclados países com líderes de ferro conhecidos por sua retórica anti-ocidente, Cingapura e Malásia, estão estáveis agora, não se sabe se esta situação permanecerá após a morte de seus respectivos comandantes.
As Filipinas estão lutando contra o que alguns temem ser o retorno da "camaradagem" dos anos Marcos. A Coréia do Sul pode ter problemas com sua grande taxa de natalidade. "Quando você tem muitos homens jovens independentes, isso significa, geralmente, muitos problemas para a sociedade", diz Fukuyama.
E o Japão será o primeiro país no mundo a lutar com os custos do aumento da população de idosos.
Alguns países adaptaram a tradicional estrutura familiar á economia contemporânea, disse Norma Field, da Universidade de Chicago. Ela cita a Coréia do Sul, onde os filhos de pais que trabalham fora são geralmente criados pelos avós.
Outros, sentindo o desespero daqueles que estão atrás na corrida, são mais predadores. Na Tailândia, com a confiança na prostituição "os custos recaem sobre as mulheres jovens", diz Field.
A ásia cresceu muito rápido para seu próprio proveito, concentrando dinheiro, informação e capacidade intelectual em metrópoles entupidas, Tóquio, Manila, Bagcoc, Seul, atrapalhando a circulação e deixando a zona rural estéril, disse um arquiteto japonês, Tadao Ando. "A disseminação da informação significa a disseminação da riqueza", disse.
Este é o desafio da nova economia global, que inclui desde vendas on-line e ondas de dinheiro espalhando-se pelas fronteiras durante a noite sem qualquer supervisão, disse Eisuke Sakakibara, o homem conhecido como senhor Iene por sua influências sobre os mercados em seus dias no Ministério das Finanças japonês.
"Uma civilização pós-moderna está a frente e nós não sabemos como lidar com isso ainda", disse Sakakibara.
A grande questão pode ser a China, a gigante. O país tem uma população variada de 1,25 bilhão que continua a crescer, enorme riqueza em recursos naturais, movimentos separatistas e crescente insatisfação com o que regime comunista tem a oferecer aos trabalhadores, agricultores e á crescente classe média.
A população chinesa, com novas idéias, crescimento intelectual e dinamismo, encontrará o sucesso na visão de Vogel.
Outros não são tão confiantes a respeito da capacidade chinesa de desconstruir seu ineficiente setor estatal e manter a cobertura do caos social e forças étnicas centrífugas.
"Eles estão andando numa corda bamba e há uma chance real de catástrofe econômica", disse Lindsey.
E os demais? Países despedaçados por conflitos internos como o Camboja, ou totalmente reclusos, como a Coréia do Norte? Fechados por seus regimes repressivos, como Mianmar, ou congelados pela incerteza sobre como se engajar no mundo como o Laos e o Vietnam?
A crise financeira conduziu a uma ênfase em exterminar a corrupção, que é indiretamente o foco da democracia, e afundou o mito de que o sucesso asiático cresceu a partir do seu autoritarismo. Conquistas deste tipo poderiam ajudar, afirma Bhagwati.
Sem mercado, fechados a investimentos externos, com economias dominadas pelo Estado, estes países estão parados, diz Lindsey.
Mas tudo pode acontecer.
Ele cita a Coréia do Sul: em 1960 o país estava abaixo dos níveis de desenvolvimento da áfrica Ocidental, um dependente sem esperanças dos EUA tanto militar quanto economicamente.
Agora, com o fim do poder militar, é um tigre superando a crise com previsão de crescimento de 6% a 7% este ano.
Mas a promessa de um futuro róseo para o próximo século não chegou para todos.
"As pessoas estão esperançosas a respeito do ano 2000 porque há três zeros, mas e daí?", disse Park Chul-hong, um eletricista sul-coreano que procura emprego há meses. "No que diz respeito a mim, não acredito que as coisas irão mudar drasticamente num futuro próximo".


