Rio Branco, 27 (AE) - O asfaltamento de 3,4 mil quilômetros de rodovias causará, em 30 anos, o desmatamento de 180 mil quilômetros quadrados na Amazônia. O Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam), em parceria com as ONGs Amazônia, Imazon e Instituto Sócio Ambiental, lança nos próximos dias a cartilha "Avança Brasil: os custos ambientais para a Amazônia" ,segundo a qual o programa federal terá consequências negativas em 31 áreas indígenas e 26 reservas ambientais.
Pelo menos 17% das 385 áreas críticas em termos de biodiversidade sofrerão impacto das estradas. O cálculo leva em conta números históricos, como os cerca de 50 quilômetros que são desmatados em uma margem e outra depois da abertura e asfaltamento da rodovia. De acordo com a cartilha, a expansão da rede rodoviária favorece a pecuária extensiva e a agricultura de subsistência que facilitam a incidência de fogo acidental.
Segundo as Ongs, as áreas indígenas diretamente atingidas serão São Marcos, Yanomami, Serra da Moça, Truaru, Sucuba, Raimundão, Canauanim, Tabalascada, Malacacheta, Wai-Wai, Waimiri-Atroari, Gavião, Paquiçamba, Arara, Koatinemo, Trincheira/Bacajá, Rio Jumas, Cachoeira Seca do Iriri, Kararaô, Parakanã, Mãe Maria, Apurinã do Ig. Tauamirim, Lago Capanã, Ariramba, Ariramba, Lago Jauari, Ariramba, Baú, Nove de Janeiro, Menkragnoti e Panará.
O Ministério do Orçamento e Gestão, coordenador do programa, nega prejuízo ambiental. Em nota encaminhada aos jornais, a assessoria do MOG afirma que "em nenhuma época foi maior a atenção do governo brasileiro para com os recursos naturais. Ao longo dos próximos quatro anos deverá dobrar a alocação anual de recursos na área do meio ambiente, reforçando a atuação do governo federal tanto na preservação do patrimônio ambiental como na promoção do desenvolvimento sustentável com apoio em recursos naturais renováveis".

mockup