É provável que a maioria dos turistas que visitou as Cataratas do Iguaçu nos últimos 24 anos não o tenha percebido. Mas o ascensorista Justo de Lima, 53 anos, é a autoridade dos quatro metros quadrados do elevador panorâmico que funciona no Parque Nacional do Iguaçu há 37 anos.
Situado próximo ao principal ponto das Cataratas, a Garganta do Diabo, o elevador liga a plataforma superior à plataforma inferior do mirante.
Lima vive a rotina de avistar a paisagem de um dos cartões postais mais conhecidos do mundo por seis horas diárias. Nos dias mais movimentados chega a fazer mil vezes o percurso de 40 metros. Com o ofício, que lhe rende R$ 270,00 mensais, sustentou mulher e cinco filhos.
A fama deu ao local de trabalho de Justo de Lima um ambiente cosmopolita. A viagem, que custa R$ 1,00, atrai mais os estrangeiros, especialmente os argentinos. ‘‘O auge disso aqui foi nos anos 80. Na época, os estrangeiros, a maioria de Buenos Aires, achavam tudo muito barato’’, lembra Lima.
Segundo o ascensorista, o movimento vem caindo ano a ano. ‘‘O real deixa tudo caro para os gringos’’. Mas, os que continuam vindo não se decepcionam. ‘‘Os alemães são os que se impressionam mais. Chegam a ficar duas horas comtemplando a queda da água’’, observa Lima.
Entre os argentinos é comum a comparação da visão dos dois lados da fronteira. ‘‘Em geral, eles admitem que do lado brasileiro é mais bonito’’, revela.
Mal-humurados De acordo com o ascensorista, os norte-americanos são quase sempre turistas mal-humorados quando descem. Reclamam dos preços, da fila e quando ficam presos por alguns minutos dentro do elevador, sem energia elétrica, tendo que ‘‘suportar’’ a visão panorâmica das quedas. ‘‘Na subida eles já estão sorrindo, mais gentis, relaxados com a paisagem’’, constata.
Das celebridades que já conheceu de perto, a recordação mais marcante foi da britânica visita da princesa Diana. ‘‘Infelizmente eram tantos seguranças que nem pude vê-la direito. Mas deu para perceber que era uma mulher muito bela e simpática’’.
Personalidades Em seu elevador também já passaram Roberto Carlos, Pelé, ex-presidentes da República (‘‘só lembro do Sarney’’) e personalidades tão famosas quanto ignoradas pelo ascensorista.
‘‘Às vezes só sei que é importante porque o esquema de segurança me faz uma revista completa’’, brinca. As checagens mais rigorosas ocorrem nas presenças de chefes de Estado árabes. ‘‘Aí é guarda-costas pra todo lado’’.
Outros incômodos chegaram a perturbar Justo de Lima em seu trabalho no elevador. ‘‘Tinha 29 anos e pouca paciência quando cheguei aqui. Na primeira semana pensei em desistir. As Cataratas eram barulhentas demais pra mim naquela época’’.
O maior susto foi o estrondo provocado por uma pedra que atingiu a estrutura do mirante. ‘‘Foi a única vez que o elevador parou nestes 24 anos’’, garante.

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