Ascensão da mulher na política não corresponde ao cotidiano Do correspondente Reali Júnior
Paris, 07 (AE) - A Espanha, sem paridade homem-mulher obrigatória nas listas eleitorais como é o caso da França e outros países, deu um bom exemplo elegendo simultaneamente e pela primeira vez na história da Europa duas mulheres para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, Luisa Fernanda Rudi e Esperanza Aguirre. Hoje em dia, as mulheres ocupam 28% das cadeiras no Parlamento espanhol, o dobro de França e Itália. Com essas eleições, o primeiro-ministro José María Aznar e seu Partido Popular (PP), de centro direita, deram mais um golpe político de mestre: controlam as duas casas do Legislativo.
A ascensão da mulher na vida política européia, especialmente na Espanha, nem sempre corresponde às verdadeiras condições de vida cotidiana delas, pois elas continuam sendo muito discriminadas e mesmo maltratadas. Isso ocorre também na França e outros países latinos da Europa, onde as mulheres ocupam funções de grande responsabilidade na cúpula dos governos. Alguns entre os principais membros do gabinete do primeiro-ministro Lionel Jospin são do sexo feminino.
Martine Aubry, do Trabalho e da Solidariedade; Elisabeth Guigou, Justiça; Catherina Tasca, Cultura; Segolene Royal, Família; Dominique Voynet, Meio Ambiente, entre outras. O próprio Parlamento Europeu é atualmente presidido por uma mulher
a francesa Nicole Fontaine.
Coincidência ou não, no mesmo momento em que Aznar festejava mais essa vitória política , o Instituto da Mulher publicava relatório que contribuiu para temperar seu entusiasmo, pois revela que os homens espanhóis, conhecidos por seu machismo, pouco evoluíram nesses últimos anos. Segundo o estudo, 640 mil mulheres são vítimas de maus-tratos atualmente na Espanha, enquanto 2 milhões "tecnicamente maltratadas", isto é, discriminadas no trabalho e nos salários, embora não cheguem a sofrer agressão física, insultos, privações e ameaças psicológicas. Logo, se a condição feminina progrediu na cúpula do Estado, na vida cotidiana muita coisa ainda precisa ser feita para estabelecer um certo equilíbrio.
Um plano contra os maus-tratos, com 50 medidas, vem sendo aplicado nos dois últimos anos na Espanha, mas o número de mulheres mortas, vítimas de agressões, aumentou de forma considerável no primeiro trimestre (21 mortes), comparando-se com o mesmo período do ano passado (16).





