As vítimas do frio
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terça-feira, 28 de junho de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Londrina - Não dá para imaginar o frio que Dulcinéia de Oliveira e seus cinco filhos tem enfrentado nos últimos dias. A família vive à beira do Ribeirão Quati, num casebre de dois cômodos, no local conhecido como Cantinho do Céu, na Zona Norte de Londrina. ''Foi difícil dormir hoje. Eu e quatro filhos deitamos aqui na cama e o outro mais velho dorme no sofá. A gente tenta se aquecer, mas falta coberta'', contou.
Luis Carlos Marrone não vive perto de nenhum córrego, mas assim como Dulcinéia e sua família procura escapar do frio. E por enquanto tem conseguido. Ele é um dos dois felizardos que garantiram ontem vaga no abrigo Casa Bom Samaritano, no Parque Bom Retiro, na Área Central de Londrina. ''Vim de Cornélio Procópio e vou ficar até sábado para pegar um dinheiro'', disse ele, que se aposentou após perder a vista no olho esquerdo, numa briga com faca. ''Já durmi na rua, mas faz um tempinho. O pior é o frio'', relatou.
Para não repetir a experiência desagradável, assim que chegou a Londrina, Marrone procurou o Sinal Verde, a fim de reservar sua cama num abrigo. ''Já passei por aqui três vezes então sabia como funciona as coisas'', comentou.
Existem em Londrina 141 vagas em abrigos, que são ocupadas em sua maioria por pessoas sem-teto. ''Estamos lotados, nesses dias frios conseguimos abrir umas três ou quatro vagas a mais para receber outras pessoas, mas é o máximo que podemos fazer'', declarou Luiz do Amaral, presidente da Casa Bom Samaritano, maior abrigo da cidade com capacidade para 76 pessoas.
Com o frio, a superlotação se repete nos outros dois abrigos do município: SOS e Pão da Vida, que atendem, respectivamente, homens e mulheres. ''Nos últimos dias, durante o meu horário de plantão, que é da 13 às 19 horas, eu tive de negar cinco pedidos de abrigo porque não havia vagas'', informou o educador do Pão da Vida, Paulo Lhewicheski.
Nesses casos o Sinal Verde é chamado para encaminhar os sem-teto para outros locais. ''As equipes de abordagem de rua atuam até as 22 horas buscando pessoas que estejam desabrigadas e as encaminham a abrigos que não estejam lotados'', explicou Clarice Junge, diretora de proteção social especial da Secretária de Assistência Social.
Hoje vivem em Londrina cerca de 200 sem-teto, número superior à capacidade dos abrigos. Um dos grandes riscos que desabrigados correm é a hipotermia, que acontece quando a temperatura corporal do organismo cai abaixo do normal (35 graus). O mal é causado pela exposição intensa ao frio e pode até matar.


