Londrina - Os vazamentos nucleares no Japão, que tiveram início após o terremoto que atingiu o país, atualmente é um dos assuntos mais comentados em todo o planeta. A explosão que ocorreu no dia 12 de março no reator da usina de Fukushima, que fica 250 quilômetros ao norte de Tóquio, já está sendo comparada aos maiores acidentes nucleares da história, como o de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.
Desde a tragédia japonesa, o debate sobre a energia nuclear está em voga. Não se pode negar que o risco existe, mas é importante considerar outros fatores. Atualmente, 16% da eletricidade consumida no mundo vêm de usinas nucleares. Esta fonte de energia é considerada limpa, uma vez que emite pouco carbono e praticamente não contribui para o aquecimento global.
Além disso, a energia nuclear pode ser utilizada no tratamento de câncer; na medicina nuclear (uso de traçadores radioativos para diagnóstico); tomografia médica; controle de processos industriais; melhoramento genético de espécies vegetais; aplicações em arte e arqueologia (métodos de datação e de caracterização de materiais); entre outras aplicações.
O Laboratório de Física Nuclear da Universidade Estadual de Londrina (UEL) é um exemplo de que a área é capaz de trazer benefícios à humanidade. O coordenador Carlos Roberto Appoloni explica que o laboratório tem uma atuação abrangente e se dedica a uma área específica de aplicação da energia nuclear. ''Trabalhamos com a metodologia atômico nuclear, empregada para o estudo de materiais''.
O laboratório funciona há mais de trinta anos e trabalha com três grandes linhas de pesquisa, que permitem o estudo de amostras ambientais, culturais e alimentares. ''Nosso laboratório desenvolve trabalhos inéditos em várias frentes. É o único que mede a erosão e a decomposição de solos cotidianamente no Brasil e é reconhecido internacionalmente pelo trabalho de caracterização de material cultural'', observa.
Outra forte atuação é com o estudo de rochas. ''O laboratório da UEL, desde 2005, tem uma parceria com a Petrobras para realizar pesquisas com as rochas reservatórias'', conta.
Os riscos das pesquisas, de acordo com Appoloni, são baixos.''Há pesquisas em que não são necessários cuidados especiais, pois medimos apenas a amostra do ambiente. Em outras, temos total controle da radioatividade emitida'', revela o coordenador. Ele acrescenta que há um cuidado obrigatório determinado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear, que é a utilização de um dosímetro individual, dispositivo que mede a quantidade de radiação em que a pessoa e o meio foram expostos. ''A leitura mensal do dosímetro nunca saiu do zero, que é a dose ambiental normal'', garante.
Appoloni esclarece que as pesquisas realizadas no laboratório não têm relação com a produção de energia. Segundo ele, todo país deve evitar usar a alternativa nuclear para produção de energia elétrica. ''Mas o Brasil já não pode mais evitar. Não vai ter usina hidrelétrica suficiente para suprir a demanda de energia'', sentencia. E, de acordo com ele, a quantidade de energia capaz de ser gerada por fontes alternativas, de longe, não é suficiente para atender à demanda.
Ao comentar o vazamento da usina no Japão, Appoloni afirma que está havendo ''um catastrofismo tremendo e uma descontextualização do acidente em relação ao terremoto''.

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