Para o psiquiatra Aderbal Vieira Jr., coordenador do Departamento de Dependências Não-químicas do Proad, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a dependência da internet é algo que se manifesta aos poucos. ''A internet não tem poder em si mesma. As pessoas são atraídas e se perdem ali por determinados motivos.''



Agência Estado - Quando o uso da internet pode ser considerado patológico?

ADERBAL VIEIRA JR. - Em qualquer dependência, há a sensação de se estar perdendo o controle. No caso da internet, isso se dá na medida em que a pessoa se vê diante do computador em momentos nos quais deveria estar fazendo outras coisas. Talvez o indivíduo quisesse desligar a máquina às 22h, mas acaba ficando online a madrugada toda. Outra forma de identificar é observar se a internet tem trazido prejuízos familiares, sociais ou profissionais.



AE - Estamos na era das tecnopatias?

VIEIRA JR. - À medida em que aumenta o número de horas expostas à internet, é claro que a chance de as pessoas terem problemas na relação com ela aumenta também. Ainda assim, as pessoas usam uma série de termos que, na verdade, são nomes criados. Nada disso constitui quadros psiquiátricos conhecidos. Nem a própria dependência de internet está tipificada nos manuais de psiquiatria do Brasil. Quando uma pessoa sofre de esquizofrenia, por exemplo, ocorrem alterações cerebrais importantes no cérebro. Nada semelhante se conseguiu provar no caso dos viciados em internet.



Serviço:

-Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) Tel.: (11) 5579-1543. Na internet: www.proad.unifesp.br

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