Washington, 15 (AE-AP) - O Banco Mundial previu hoje (15) que as migrações "serão um dos maiores fatores de mudança do panorama no novo século". O fenômeno abarca desde a fuga de cérebros do Brasil até cruzamentos da fronteira do México com os Estados Unidos.
"A globalização é como uma onda gigantesca que pode arrasar nações em sua passagem ou fazê-las avançar", afirmou o vice-presidente do banco, Joseph Stiglitz.
Ele fez os comentários ao entregar um informe especial do Banco Mundial intitulado "No limiar do Século 21", que destaca a importância extraordinária dos movimentos migratórios.
"As migrações estão provocando mudanças dramáticas no perfil demográfico tanto das nações industrializadas como dos países em desenvolvimento", assinala o documento. E o envelhecimento da população dos Estados Unidos "pode intensificar a demanda de imigrantes como ocorreu na Europa Ocidental na década de 1950 e meados dos anos 70".
Por outra lado, "a saída de gente qualificada afetará a vida dos países em desenvolvimento". Brasil, Chile e Argentina são os países do hemisfério que mais sentem a chamada fuga de cérebros.
"O mercado para trabalhadores capacitados se tornará mais integrado nas próximas décadas", avalia o documento. "Os altos salários contribuirão para uma concentração de talentos nos países mais avançados", acrescentou Stiglitz.
O documento sustenta que "a diáspora internacional tem um tremendo potencial econômico", e calcula que os trabalhadores no exterior enviam anualmente a suas terras uns US$ 75 bilhões, o equivalente a mais da metade do total de ajuda para o desenvolvimento. No caso de El Salvador, avalia-se que as remessas são a maior fonte de recursos externos depois das exportações de café.

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