As forças estratégicas russas
Roma, 09 (AE-ANSA) - Os mísseis balísticos russos não estão mais apontados para os Estados Unidos e Grã-Bretanha desde 30 de maio de 1994, em vista dos acordos que Boris Yelstin firmou, primeiro, com Bill Clinton e logo depois com o então primeiro-ministro britânico John Major.
O chanceler russo, Igor Ivanov, desmentiu hoje uma declaração do presidente da Câmara baixa do Parlamento russo, Gennady Selezniov, dando conta que havia recebido uma ordem de Yeltsin para apontar os mísseis contra alguns países da Otan que participam dos ataques contra a Iugoslávia.
Apesar do desmentido, a declaração de Selezniov ressucitou o fantasma de uma guerra nuclear que os acordos Start e o fim da Guerra Fria haviam quase exorcizados.
Em 14 de janeiro de 1994 Yeltsin e Clinton firmaram em Moscou o acordo de orientação dos mísseis balísticos russos e americanos para áreas não habitadas, e em 15 de fevereiro o presidente russo assinou um similar com o premier britânico John Major.
Mas o arsenal russo continua sendo muito poderoso. Apesar das dificuldades econômicas, a Rússia inclusive testou modelos novos como o SS-X29 e o SS-N-20 Slbm para os submarinos Typhoon e Delta IV.
Segundo dados do tratado de desarmamento Start 1, até dezembro último a Rússia, que em 1996 havia completado a recuperação dos mísseis ex-soviéticos, possuia 6.140 ogivas nucleares estratégicas contra as 7.086 dos Estados Unidos.
Fontes russas indicam, por seu lado, que as forças nucleares estratégicas de Yeltsin podem contar atualmente com 700 mísseis intercontinentais eficientes, com 3.500 ogivas.
Em 1995, o comandante das forças estratégicas, general Igor Serghieiev, advertiu que os mísseis intercontinentais seriam modificados para prolongar sua "vida ativa".
Das três forças russas, a aérea e a marinha têm considerado que por falta de fundos sua capacidade de ação é muito pequena e que os bombardeiros nucleares e os submarinos lança-mísseis têm, de fato, uma reduzida capacidade operativa.
Esta redução da capacidade aérea e submarina determinou a necessidade de se manter em operação pelo menos os mísseis em terra, os móveis ou em silos, SS-19 (seis ogivas com um alcance de 10.000 km) e os SS-N-18-24 e 25, com um alcance médio de 10.500 km) e os SS-N-6,8,18,20 e 23, lançados de submarinos. Destes últimos seriam operacionais apenas 25, dos 40 teoricamente em serviço.
Antes da assinatura do Start 1, firmado em 1991 por George Bush e Mikhail Gorbachev, a URSS contava com 11.012 ogivas contra as 12.646 dos Estados Unidos.
No ano 2001, os Estados Unidos e a Rússia -que desde novembro de 1996 é a única potência nuclear ex-soviética- deveriam ter "apenas" 8.500 e 6.000, respectivamente.
O Start 2, firmado em 1993 por Yeltsin e Clinton e cuja ratificação foi postergada por tempo indeterminado pelo Parlamento russo depois do ataque da Otan contra a Iugoslávia, reduz as ogivas americanas a 3.500 e as russas a 3.000.





