São Paulo, 05 (AE) - O embaixador do Brasil na Indonésia, Jadiel Ferreira de Oliveira, respondeu por e-mail a perguntas da Agência Estado sobre a situação em Timor Leste. Eis os principais pontos da entrevista: Agência Estado - A ONU não falhou ao autorizar a realização de um plebiscito em Timor sem ter garantias de segurança, como os fatos vieram a mostrar? Jadiel Ferreira de Oliveira - Não se pode dizer que a ONU tenha falhado. Na verdade, a ONU recebeu garantias de segurança - da Indonésia. Se se pode ou não confiar nas garantias oferecidas pelo governo indonésio é outra história. Mas na época da negociação, não havia alternativa. AE - As forças de segurança da Indonésia, como denunciam testemunhas dos incidentes, são coniventes com as ações dos milicianos? Oliveira - As forças de segurança não são apenas coniventes com as milícias. É mais que isso: as forças de segurança criaram as milícias. Não se sabe, agora, se elas têm condições de controlar os milicianos, que parecem agir, em muitos momentos, de maneira independente. No caso do cerco da sede da ONU, quarta-feira, as forças de segurança somente conseguiram controlar as milícias abrindo fogo contra elas, matando um miliciano. AE - Quem são esses milicianos? Como se vestem e como agem? Acredita que eles atuem sob o efeito de drogas durante os ataques? Oliveira - São desempregados ou marginais, ou às vezes apenas camponeses recrutados à força para servir nas milícias. Há 12 milícias em Timor. Em muitos casos os milicianos agem sob efeito de drogas, fornecidas pelos chefes das milícias.

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