As divergências entre desenvolvimento e estabilidade
Brasília, 02 (AE) - O que disseram os ministros do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, e da Fazenda, Pedro Malan: Clóvis Carvalho: "O Brasil tem uma estratégia de desenvolvimento? Afirmo que sim, tem sim, e resulta da adaptação do projeto liberal, herdado do período Collor pelo presidente Fernando Henrique às pressões e às demandas da sociedade organizada, da própria base política do governo". "Estou certo de que, sem desenvolvimento econômico e social, a estabilidade não se consolida. Mas também sem estabilidade o desenvolvimento não se sustenta. Nos últimos meses vimos, ainda, que sem crescimento teremos instabilidade política e essa instabilidade política terminará por contaminar a própria estabilidade econômica. Sendo assim, precisamos ousar mais, arriscar mais, arriscar até o limite da responsabilidade". "Ajustes não podem ser entendidos como camisa-de-força para iniciativas voltadas ao desenvolvimento. Da mesma forma que responsabilidade não deve ser sinônimo de timidez nem de conformismo com resultados medíocres de crescimento econômico". "Dá sim, para ousar mais, para arriscar mais. Da mesma forma que a inflação não voltou, a recessão não se instalou e o desemprego não explodiu, como previram quase todos, apressar o passo na retomada do crescimento não trará o apocalipse. E o excesso de cautela, a essas alturas, será o outro nome para covardia". Pedro Malan: "A contradição entre desenvolvimento e estabilidade é um falso dilema. Não há nenhuma incompatibilidade". "Sem a responsabilidade fiscal dos governantes, o País não terá nem estabilidade, nem desenvolvimento sustentado". "Somos todos a favor de ousadia." "O Brasil precisa superar a tentação do discurso fácil e tratar com seriedade os seus problemas. É muito fácil criticar a miséria, a fome, a violência, a corrupção e a hipocrisia e responsabilizar o governo por não ter resolvido todos esses problemas. O objetivo do governo é o desenvolvimento econômico e social, mas não somos mercadores do futuro." "O Plano Plurianual enfatiza um processo de desenvolvimento com mudança estrutural e prevê nos próximos três anos um crescimento de pelo menos 4% da economia. Se houver avanço nas reformas, o crescimento poderá ser ainda maior."





