Entre 2005 e este ano a atriz Analice Pierre, que tem 27 anos e mede 1,79m, flutuou sem parar entre 67 kg e 73 kg. Analice está certa de que sofre do efeito sanfona - nome popular dado para as mudanças de peso corporal recorrentes provocadas pelos regimes de emagrecimento.
  O efeito ioiô (outro nome do fenômeno) é geralmente observado depois que a pessoa se submete a uma dieta relâmpago. A pessoa perde peso, mas não consegue mantê-lo. E, com o tempo, o emagrecimento torna-se cada vez mais tortuoso.
  Segundo a nutricionista Lara Natacci Cunha, especialista em Transtornos Alimentares pela Universidade de Paris V e uma das criadoras do programa de emagrecimento Diet Net (www.dietnet.com.br), o efeito sanfona acontece porque a perda de peso rápida gera uma eliminação de massa magra (músculos e água), muitas vezes maior do que a de gordura corporal. ‘‘Quando a pessoa deixa a dieta restritiva e passa a se alimentar como antes há o ganho de peso na forma de gordura’’, explica Lara.
  No próximo regime, a pessoa vai precisar comer ainda melhor e malhar um pouco mais para perder uns quilinhos. Segundo o endocrinologista Mauricio Hirata, da clínica Bio Hirata, as dificuldades extras surgem por diversos motivos. ‘‘Com a idade, o metabolismo cai e fica cada vez mais difícil emagrecer’’, explica o especialista. É preciso considerar também a natureza poupadora dos nossos genes. ‘‘Nosso corpo entende que cada vez que passa por um período de restrição calórica, ele precisa poupar mais energia para funcionar’’, explica Hirata.
  Se o efeito sanfona é prejudicial, permanecer gordo é igualmente ruim. ‘‘A pessoa não pode partir do princípio que vai engordar toda vez que começar um regime’’, diz Hirata. O ideal, segundo o endocrinologista, é se precaver contra o efeito sanfona. Isso pode ser feito de várias formas, mas a principal delas consiste na mudança dos hábitos. Ou seja: por mais que o paciente tenha usado remédios, precisa também fazer reeducação alimentar e exercícios físicos.
  Outro conselho do especialista é não comer tão pouco quando se está no peso certo. ‘‘Caso contrário, o corpo irá se acostumar à privação’’, explica o endocrinologista. Ele ressalta, por último, a importância da manutenção do peso. ‘‘O tratamento da obesidade é crônico’’, explica Hirata.

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