árvores urbanas centenárias serão inventariadas em Sorocaba
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de outubro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 11 (AE) - árvores centenárias, como jequitibás, cedros e paineiras, que resistiram ao tempo e à expansão urbana de Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo, estão sendo identificadas, datadas e catalogadas pela bióloga Lígia Ferreira, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). O inventário, inédito na cidade, está sendo feito com o apoio da Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba (Fundec) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba, devendo ser concluído em fevereiro do próximo ano. Com base nesse trabalho, a prefeitura poderá definir parâmetros para o tombamento e a preservação dos principais espécimes.
A bióloga utiliza equipamentos como sondas de Plesler para retirar amostras do tronco e determinar a idade da árvore. Também são analisadas amostras de folhas. Outras características
como anéis que se formam no tronco, o diâmetro, a altura e o estado geral do espécime ajudam a estabelecer a datação exata. A Fundec, órgão ligado à Secretaria Municipal da Educação e Cultura, patrocinou a compra dos equipamentos. O trabalho da bióloga é voluntário. Ela já iniciou os estudos dos espécimes mais conhecidos, como a paineira do Bairro da árvore Grande - a planta deu o nome ao bairro - que se presume ter mais de duzentos anos. Se a idade for confirmada, será um dos exemplares da espécie mais antigos do País. A paineira da Praça Oxford, outra planta usada como referência urbana, também já foi estudada.
A bióloga descobriu árvores típicas de florestas, como um cedro existente no Parque Campolim, uma copaíba do Central Parque e vários jequitibás, que sobreviveram no emaranhado de edificações urbanas. Alguns estão ameaçados, como dois jequitibás encontrados numa praça abandonada do Jardim Bandeirantes. Um deles teve o tronco queimado. O estudo desses vegetais, segundo Lígia, possibilitará a reconstituição da flora existente na região antes da construção da cidade. Ela espera que a catalogação desses espécimes incentive o poder público e a própria população a cuidarem de sua preservação.


