Árvores de fundo de vale são erradicadas
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quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
As garças não vão ter mais onde dormir e os sabiás-laranjeira não cantarão mais nas mesmas árvores no fundo de vale Água Fresca, próximo da estação da Sanepar da Avenida JK, na Região Central de Londrina. Quarenta e duas árvores, algumas secas, a maioria Santa Bárbara - uma espécie exótica -, foram erradicadas e ontem, a madeira das últimas espécies foi carregada.
''Era lindo ver esses pássaros por aqui todos os dias. Agora eles ficam rondando sem ter onde pousar'', lamenta a moradora do Jardim Quebec, Vera Lúcia Teodoro de Oliveira Vilela. As árvores foram cortadas com autorização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O serviço foi executado por um lenhador autônomo, que trabalhou em troca da lenha. ''Eu presto serviço para eles (Sema) e fico com o material que corto. Eles não têm quem faça isso'', afirma o rapaz, sem se identificar.
Um dos carregadores da madeira chegou a afirmar: ''A prefeitura que manda tirar. Tem muito fundo de vale que vai acontecer isso''. Junto dele, estava uma nota fiscal de compra da madeireira que trabalha, em nome da secretaria municipal. O lenhador afirmou que ele vendeu a madeira para a empresa e, como é autônomo, a nota saiu no nome da Sema.
O secretário de meio ambiente, Cleidival Fruzeri, afirmou desconhecer a transação do lenhador. ''O acordo era para ele ir lá podar e erradicar, mas não para receber nota fiscal em nosso nome. Isso é irregular''. Ele reconhece que o próprio acordo com o profissional autônomo é ilegal: ''Não tem qualquer papel assinado com o lenhador, mas é comum a gente fazer isso pela falta de equipe''.
A promotora de Meio Ambiente, Solange Vicentin, reafirma o que diz Fruzeri. ''A Sema faz isso para evitar os gastos, porque não tem pessoal para executar. Agora o que é certo, é que essa madeira com certeza foi certificada'', garante. Ela explica ainda que foi a própria promotoria que pediu à Sema que interviesse no Água Fresca, pois o local estava sendo utilizado para fazer festas. ''Então se decidiu erradicar as árvores condenadas e substituir por espécies nativas'', complementa.
Vera Lúcia, moradora do local, garante que árvores saudáveis foram erradicadas. ''Eles tiraram um cedro, um feijão cru, além de um monte de espécies maravilhosas que tinham aqui'', afirma. lenhador, por sua vez, garante: ''Só foi tirada espécies condenadas e algumas Santas Bárbaras. Se alguém encontrar algo diferente disso, pode me prender agora''.


