Artrite em Dolly traz novas preocupações sobre clonagem
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de janeiro de 2002
France Presse 
O anúncio de que a ovelha Dolly sofre de artrite, feito ontem por seu criador, o professor Ian Wilmut, aviva as preocupações com as consequências da clonagem e os riscos do transplante de órgãos de animais clonados ao homem.
A ovelha Dolly sofre de artrite, apesar de ainda não podermos saber ao certo se é um sinal de envelhecimento precoce devido à clonagem ou de uma lamentável coincidência, afirmou o pesquisador do Instituto Roslin de Escócia. Segundo o professor, a doença atingiu a pata traseira esquerda na altura da bacia e do joelho e o animal está respondendo bem ao tratamento antiinflamatório.
O fato de que a Dolly tem artrite tão cedo (com cinco anos) permite pensar que a clonagem pode trazer problemas, disse o cientista. Já sabemos que existe uma taxa anormal de mortalidade nos animais clonados na época do nascimento. O que devemos continuar estudando é se as doenças como artrite, associadas à idade, aparecem normalmente ou se são decorrentes da clonagem, acrescentou.
Wilmut incentiva os laboratórios a compartilharem eficazmente os resultados de suas pesquisas. Acredito que alguns grupos (de cientistas) não têm muitos animais para tirar conclusões próprias. É a razão pela qual é importante que compartilhemos nossas informações, disse o cientista. Ele acredita que a única solução é produzir um grande número de clones e comparar a taxa de artrite e de outras doenças dos animais clonados com a dos animais nascidos naturalmente.
Esta preocupação sobre um possível envelhecimento prematuro do animal clonado aparece no momento em que os cientistas americanos conseguiram clonar um porco pequeno, no qual desativaram um gene responsável pela rejeição de órgãos transplantados, dando um passo adiante na produção de órgãos animais para transplantes.
A PPL Therapeutics, empresa britânica de biotecnologia que patrocinou a clonagem de Dolly, anunciou também na quarta-feira que tinha produzido cinco porcos desprovidos de um gene considerado responsável pela rejeição no corpo humano de órgãos para transplante, o gene alfa 1,3 galactosil transfarasis.
No futuro, esta etapa vital vai permitir que órgão ou células de animais sejam transplantados para o homem sem serem rejeitados, afirmou a PLL num comunicado.
O envelhecimento precoce de Dolly foi comunicado em maio de 1999, quando uma pesquisa feita pela PLL demonstrou que a idade de seus cromossomos não era de três anos, mas de nove. Isto quer dizer que à sua idade deve-se acrescentar a da ovelha de seis anos da qual se extraiu a célula que permitiu a clonagem de Dolly.
A ovelha Dolly, que nasceu em julho de 1996, foi o primeiro animal clonado com sucesso a partir de uma célula adulta de um mamífero. Seu nascimento foi anunciado em 1997.


