Arquivo FolhaApoioA escritora Glória Perez, segundo Rainha, está coordenando o movimento de artistas que vão protestar contra o novo júri do líder, em Pedro CanárioArtistas e cantores estão se organizando em um movimento de defesa do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) José Rainha Jr., que será julgado novamente no dia 16 de setembro, na cidade de Pedro Canário (ES). Rainha disse ontem em Betim (região metropolitana de Belo Horizonte) que teve há uma semana um encontro com a escritora Glória Perez, no Rio, onde se discutiu esse movimento em defesa do líder dos sem-terra. ‘‘A Glória Perez vai coordenar esse movimento. Tudo é iniciativa dela. Ela me convidou para ir ao Rio e falou sobre essa mobilização política da área artística’’, disse o líder do MST.
Entre os artistas e cantores citados por Rainha estão Chico Buarque, Lucélia Santos, Paulo Betti, Antônio Fagundes e Patrícia Pillar. Além dessa mobilização dos artistas, Rainha disse que organizações partidárias e sindicais, a igreja, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Anistia Internacional estão se mobilizando para acompanhar o julgamento. Rainha foi julgado no dia 10 de junho e condenado por um júri popular a 26 anos e seis meses de reclusão, acusado de duplo homicídio em Pedro Canário, ocorrido em 5 de junho de 1989.
Rainha afirma que ‘‘foi um julgamento político’’. ‘‘Dos 21 jurados, 18 são fazendeiros e amigos da família’’, afirmou. Os advogados de Rainha estão tentando transferir o julgamento para Vitória a fim de evitar ‘‘pressões’’ sobre os jurados.
Rainha sustenta que quando ocorreu o crime ele estava no Ceará desde o dia 25 de maio. ‘‘Nenhuma das provas que apresentamos valeu. Foi um julgamento político’’, disse, assinalando que novas provas da sua inocência serão apresentadas no novo julgamento.
Rainha visitou em Betim um acampamento de trabalhadores rurais sem terra, onde 30 famílias ocuparam há seis meses uma área do governo mineiro de 360 hectares. O PT local promoveu uma passeata pelo centro da cidade em um ato pela não-condenação do líder dos sem-terra. ‘‘A luta é sua, a luta é minha, liberdade para o Zé Rainha’’, gritaram os cerca de 30 manifestantes.

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