Artistas fazem manifesto em favor de Rainha
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Adriana Ferreira 
Rio, 07 (AE) - Intelectuais e artistas fazem um manifesto de solidariedade ao líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha, hoje à noite, na casa do arquiteto Oscar Niemeyer, em Copacabana, zona sul. Rainha será novamente julgado, no próximo dia 13, pelo assassinato de um fazendeiro e um policial. O texto que será lido durante a reunião que as provas a favor de Rainha foram desprezadas.
A idéia de fazer um movimento para ajudar o líder dos sem-terra surgiu em uma reunião entre militantes do MST e artistas do grupo Companhia Ensaio Aberto. Em seu espetáculo "Companheiros" o grupo fala sobre a luta na América Latina e há um trecho dedicado a José Rainha. No final da peça, um abaixo-assinado é passado entre a platéia. Por conta disso, integrantes do MST procuraram os artistas a fim de criar una moblização em torno do julgamento.
No pequeno texto de 12 linhas, há um resumo da história do julgamento de Rainha, ocorrido no em junho de 97. O líder dos sem-terra foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão. É lembrado o fato de que, no dia do dois assassinatos, que aconteceram em 1989, em Vitória, Rainha estava reunido com o governador do Ceará.
"Os crimes de Eldorado dos Carajás e Corumbiara permanecem impunes, mas agora querem condenar Rainha", diz o texto. "José Rainha cometeu o único crime que não se perdoa neste país: querer um país mais justo, com terra, trabalho e justiça para todos", consta de outro trecho.
No dia 10 será realizado, em Vitória, um show em comemoração ao Dia Internacional dos Direitos Humanos quando serão apresentados também vários depoimentos de artistas favoráveis a um julgamento justo. Atriz da Companhia de Ensaio Aberto e uma das organizadoras do evento na casa de Niemeyer, a atriz Tuca Moraes diz que o objetivo é fazer com que a população tome conhecimento dos fatos e se mobilize. "É preciso que o povo se coloque, vá as ruas", diz Tuca.
Para o ator Antônio Grassi, o primeiro julgamento de Rainha foi "estapafúrdio". "Temos que chamar a atenção da opinião pública, uma vez que está sendo difícil mobilizar o poder público", observa. "Ter a imagem de que Rainha é um marginal e bandido é uma forma de fazer com que o movimento dos sem-terra enfraqueça", alerta.
Diretor da Companhia Ensaio Aberto e diretor do show, Luiz Fernando Lobo explica que o manifesto e o abaixo-assinado - que será entregue ao juiz pelo advogado do líder do MST - são duas fortes armas para mostrar que o julgamento de Rainha foi, antes de tudo, político. "Do ponto de vista jurídico, foi uma farsa"
diz.
Na sexta-feira, Dia Internacional dos Direitos Humanos, militantes do MST farão vigília, a partir do meio-dia, em frente ao Tribunal de Justiça do Rio, no Centro. A vigília fará parte da mobilização nacional para exigir das autoridades um julgamento justo e isento para José Rainha. Após a vigília, os sem-terra vão irão para a Superintendência do Incra, no Catete, zona sul.


