Artistas fazem manifesto contra sentença de juiz
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de outubro de 1998
Agência Estado 
A expressão badalada atriz, usada pelo juiz da Vara de Execuções Penais do Rio (VEP), Carlos Alfredo Flores da Cunha, para definir a atriz Daniella Perez na sentença em que concedeu o regime semi-aberto a Paula Thomaz, irritou artistas de teatro e televisão no Rio. Em resposta, um grupo de atrizes fez um manifesto com mais de 76 assinaturas, entre elas as de Fernanda Montenegro e Beatriz Segall, que será entregue à Justiça pela escritora Glória Perez, mãe de Daniella.
É um absurdo a classificação usada por este juiz para definir Daniella e seu trabalho, disse a atriz Raquel Nunes, que recentemente viveu a personagem Cíntia, da novela Era Uma Vez. Isso foi uma ofensa à imagem de Daniella, a Glória e à nossa profissão. Ela não era uma atriz badalada, mas uma profissional de sucesso, afirmou.
No manifesto, as atrizes dizem que a palavra badalada encerra uma vulgaridade que descreve tão mal a personalidade pública de Daniella quanto soa inadequada à linguagem de um magistrado. Elas afirmam também que a sentença faz uma espécie de caricatura de resistência à fama e ao poder dos meios de comunicação para justificar o benefício concedido a Paula. Além de Fernanda Montenegro e Beatriz Segall, o documento já recebeu a assinatura de Eva Todor, Suzana Vieira e Marieta Severo, entre outras atrizes.
A prisão semi-aberta foi concedida a Paula na segunda-feira passada, após ter cumprido um sexto da pena de 18 anos e seis meses de prisão em regime fechado. Ela foi condenada pelo assassinato de Daniella Perez, em dezembro de 1992. Na sexta-feira Paula foi transferida da Polinter para o Instituto Penal Romero Neto, ambos em Niterói, onde ontem à tarde recebeu a visita dos pais.


