Artista plástico protesta em frente ao Congresso
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O artista plástico goiano Siron Franco montou ontem uma instalação nos jardins em frente ao Congresso Nacional, para denunciar que 50 anos depois da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos permanece no Brasil a violência contra a mulher e a criança. Siron criou uma grande cruz com roupas usadas, colocada em cima de uma coleção de recortes de jornais ampliados, com matérias relatando casos de violência e de desrespeito aos direitos humanos no Brasil.
A obra medindo 20 metros de comprimento por 30 de altura chamou a atenção dos populares que passavam na Esplanada dos Ministérios. Tentei passar nesta obra a minha indignação em relação a esses fatos, conta Siron. Ao todo, foram usadas 2.200 roupas de crianças e mulheres para fazer a cruz. Entre as roupas, foram colocadas tesouras, chaves de fenda e pedaços de ferro. Muitas das violências que estão descritas nestes recortes de jornal foram praticadas com esses instrumentos, justificou Siron. O pior é que este é um crime específico do homem, observou o artista plástico.
A instalação será mostrada também em Goiania, Salvador, Curitiba e no início do próximo ano ficará em exposição no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo. Essa é a quarta vez que Siron faz uma instalação gigante nos jardins do Congresso. A obra, segundo o próprio artista plástico, é interativa. Por isso, as pessoas que se aproximavam da instalação acabavam andando em cima dos jornais emplastificados. Essa é uma tentativa de nova releitura dos fatos, explicou o artista.
Durante a manhã, também houve manifestação dos sem-terra em frente ao Congresso para marcar a data. À tarde, a Câmara dos Deputados realizou uma sessão solene em homenagem aos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.


