Artista plástico Fernando Diniz é enterrado no Rio
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Adriana Ferreira 
Rio, 05 (AE) - O artista plástico Fernando Diniz, de 80 anos, foi enterrado na tarde de hoje, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio. Diniz, ex-interno do Hospital Psiquiátrico Pedro II, no Engenho de Dentro, no qual foi internado para tratamento de esquizofrenia, morreu às 12 horas, no Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel, zona norte, onde morava deste 1997. Ele tinha câncer de próstata, uma cardiopatia séria, além de possuir apenas um rim, que funcionava com 30% de sua capacidade.
Baiano, Diniz mudou para o Rio de Janeiro acompanhando a mãe, que era uma exímia costureira. Negro e pobre, estudou até a 2ª série do colegial e não conseguiu entrar para o curso de engenharia que pretendia fazer. Ele começou a demonstrar sinais de desequilíbrio após saber que a moça pela qual se apaixonara, de nome Violeta, iria se casar. Em 1949 foi internado no Hospital Psiquiátrico Pedro II, e lá, com a médica Nise da Silveira, que inciava um trabalho de terapia ocupacional com oficinas de pintura e escultura, começou a pintar. No hospital Diniz se revelou um grande artista, muito elogiado por críticos de artes plásticas nacionais e internacionais.
O reconhecimento público, porém, só aconteceu no final da década de 80 com o lançamento do filme "Imagens do Inconsciente", do diretor Leon Hirszman. O documentário, dividido em três partes, relatava o trabalho desenvolvido por Nise da Silveira no Pedro II através das histórias de três pacientes: Fernando Diniz, Adelina e Carlos Pertuis.
Diniz participou de várias exposições no Brasil e no exterior, em locais como Museu de Arte Moderna do Rio e de São Paulo, Paço Imperial e Hotel de Ville, em Paris. Ainda realizou outro sonho: fazer um desenho animado. Com o diretor Marcos Magalhães, rodou, de 1994 a 1996, "Estrela de Oito Pontas". O filme ganhou os prêmios Kikito de melhor curta-metragem no Festival de Gramado de 1996; Margarida de Prata, da CNBB, de 1997; o Tatu de Ouro, no Festival de Salvador, em 1996; e o melhor curta do Festival de Havana em 1996.
Com a saúde muito precária, foi transferido do seu quarto para uma enfermaria do Pedro II, o que provocou uma grande depressão. Um leilão organizado por artistas plásticos e intelectuais conseguiu angariar fundos para que ele ficasse morando em um quarto na Vila Psiquiátrica do Hospital Pedro Ernesto.


