Artista plástico aguarda indenização
Cambé - Nascido em 1961, o artista plástico José Anézio Montini foi uma das vítimas da 1 geração da Talidomida. Filho caçula, a mãe do funcionário público da cidade de Cambé (Norte) tomou um medicamento com o princípio ativo - prescrito pelo médico da época - para controlar enjoos ocasionados pela gestação. ''Ela tomou o remédio por pouco tempo, coisa de duas semanas. Hoje, entretanto, sabemos que apenas um comprimido já é suficiente para a má-formação do feto'', lembra Anézio.
Como não existiam aparelhos de ultrassom, a gravidez correu normalmente e, somente no nascimento é que foi constatado que algo tinha acontecido. ''Pensando que iria morrer, fui batizado logo depois, pois ninguém sabia do que se tratava. Como meu desenvolvimento foi normal, cerca de um ano depois, começaram a ligar o meu caso à descoberta do efeito da Talidomida mundo afora.''
A suspeita quase certa, no entanto, não mudou em nada a história de Anézio. Apesar da deficiência nos braços, afirma ter tido uma infância próxima do que é considerada ''normal''. ''Sempre consegui fazer tudo, dentro das minhas limitações. A maior preocupação dos meus pais é como seria meu futuro. Quando comi sozinho pela primeira vez, minha mãe dizia que era um milagre'', conta. E se comer parecia uma tarefa impossível, ele provou que podia ir além. Se formou em artes visuais e, hoje, produz diversos trabalhos artísticos, principalmente pintura.
Mesmo sendo de família pobre, nunca recebeu qualquer auxílio por parte do governo. Somente no ano passado, em decorrência da lei que determinou que o Estado pagasse uma indenização por danos morais aos portadores da síndrome, é que foi atrás da pensão a quem tem direito. ''Não tinha interesse porque o valor é muito pequeno, impossível de manter uma pessoa, muito menos uma família'', diz o artista, cuja confirmação de seu ''diagnóstico'' saiu em setembro do ano passado.
Ele e outras 156 pessoas, entretanto, ainda aguardam o pagamento da indenização que está sendo contabilizado pelo INSS. O valor pago varia de R$ 50 a R$ 400 mil, dependendo da gravidade.(M.T.)





