Artista com obras pelo mundo mantém ateliê em Pato Bragado
Quem passa pela principal avenida de Pato Bragado e assiste a um cinquentão se deliciando com uma cuia de chimarrão num banco em frente de casa não imagina que Orlando Borchaldt, um gaúcho descendente de alemães que vive há 22 anos na pequena cidade, é um artista com obras espalhadas pelo mundo.
Em um terreno ao lado de sua casa de madeira, Borchaldt produz pequenas e grandes obras, com gravetos, galhos e troncos de árvores reciclados. O artista navega com desenvoltura pelo erótico, o político e o sacro. Faz caricaturas de políticos talhadas em madeira, animais com formatos fálicos e usa com humor figuras do folclore indígena.
O artista tem que ter a mais absoluta liberdade de criação. Não pode ter vergonha, moralismo e, às vezes, nem coerência, ensina o ex-agricultor que há alguns anos vive somente de sua arte. Tratadas com extrato de nogueira e selador depois de prontas, as peças de Borchaldt, produzidas com a ajuda de formões, machadinhas e motosserra, estão em casas, museus e igrejas da Austrália, Espanha, Argentina e Alemanha. No Paraguai, dezenas de paróquias já encomendaram altares ao escultor.
Em média, ele faz sete peças mensais, cujos preços oscilam entre R$ 200,00 e R$ 5 mil. Algumas estão na casa do ex-jogador argentino Diego Maradona, admirador de seu trabalho. Já visitei sua casa em Buenos Aires, garante, orgulhoso.Ele é uma pessoa muito simples.
Filho de mãe artesã, Borchaldt começou fabricando móveis. O gosto pelo trabalho e pela madeira fez o jovem, admirador da obra de Anita Malfatti, se dedicar, nas horas vagas, à produção de peças de artesanato. Mais ousado, começou a analisar os formatos dos galhos de grandes podas. Olho o galho e já penso em uma figura pronta, explica.
Segundo o próprio artista, sua obra-prima é um dinossauro de dez metros de comprimento e três metros e meio de altura, com um tronco com galhos sem emenda, praticamente uma árvore inteira. Quero entrar no livro dos recordes. É a maior escultura em madeira contínua do mundo, reinvindica Borchaldt, que já recusou pela peça uma oferta de US$ 100 mil de uma empresária chinesa.
Meu dinossauro está reservado para um museu que pretendo inaugurar antes de morrer, diz o artista, de 52 anos. O maior sonho de Borchaldt, que custaria por seus próprios cálculos R$ 500 mil, é que o projeto fosse instalado na Costa Oeste paranaense. É uma região que gosto muito e que receberá cada vez mais turistas, justifica.Orlando Borchaldt produz as obras, com gravetos, galhos e troncos de árvores recicladosLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha





