Rio, 29 (AE) - A tendência petista Articulação colocará amanhã (30) os cargos que ocupa na administração à disposição do governador Anthony Garotinho (PDT), em audiência no Palácio Laranjeiras, residência do governador. A decisão não significa, porém, que os petistas que ainda estão no Executivo vão realmente deixar os postos que ocupam, nem o fim da polêmica sobre o assunto, pois o governador não vai demitir ninguém.
Segundo William Campos, porta-voz do grupo, trata-se de uma estratégia para ir à reunião do diretório regional no domingo (31) sem risco de punição e com possibilidade de recorrer à cúpula nacional. "Se formos à reunião do diretório sem entregar os cargos, iremos como bandidos", disse ele. "Queremos colocar o diretório na defensiva, queremos botar a sociedade contra o diretório." Campos reafirmou que a tese-guia aprovada no encontro mantém o apoio do PT ao governo do pedetista. A determinação de entrega dos cargos foi aprovada no último domingo, no 18º Encontro Estadual do partido, em reação a declarações do governador, que chamou o PT de "partido da boquinha", por, supostamente, só estar interessado em cargos na máquina pública.
Um documento condenando a entrega de cargos, classificando-a de absurda e autoritária, mas formalizando a decisão, será entregue ao governador pelos secretários Jorge Bittar (Planejamento), Gilberto Palmares (Trabalho), Antônio Pitanga (Ação Social) e outros petistas que ocupam cargos de confiança. O grupo também pretende levar ao 2º Congresso Nacional do PT, em novembro, uma proposta de moção que anule a decisão do encontro do Rio. Na última segunda-feira, os petistas ligados ao novo presidente do PT, Carlos Santana, que apoiou a proposta de entregar os cargos, foram demitidos.
Polêmica - A decisão da convenção continuará sendo objeto de controvérsia. Os grupos Refazendo e Campo de Ação Popular, do vereador Adilson Pires, afirmam que colocar os cargos à disposição não é o mesmo que entregá-los. "Vou pedir a suspensão de quem não sair na reunião do diretório, domingo", disse hoje o deputado Milton Temer, do Refazendo.
Enquanto a questão ainda estiver em discussão, porém, é difícil que haja punição. Ironicamente, a Articulação faz agora o que se recusou a adotar como proposta no 18º Encontro. Um acordo para que os cargos fossem colocados à disposição foi proposto, reservadamente, mas o grupo não aceitou.
O presidente regional do PT, Carlos Santana, disse hoje que pretende fazer cumprir a decisão de entrega dos cargos. "Não vou entrar nessa discussão", disse o parlamentar. "Vou conduzir a resolução da convenção." O parlamentar afirmou não acreditar que a entrega de cargos é apenas uma tática. Amanhã (30), Santana se encontra no Rio com o presidente nacional do PT
José Dirceu, para discutir a crise. Dirceu quer que Santana o acompanhe a São Paulo para uma reunião com o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Também participaria do encontro a deputada Cida Diogo, do grupo Opção Socialista.

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