Brasília, 06 (AE) - A articulação para obstruir a votação da Lei de Responsabilidade Fiscal como forma de barganhar mais repasses federais aos Estados não deve dar certo. Os governadores que desembarcam em Brasília para uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na terça-feira, deverão ser derrotados na negociação do tema com suas bancadas. A avaliação é do líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF). "No Senado, há um desejo muito grande de aprovar a lei", afirmou.
O tucano garantiu hoje não haver possibilidade de o governo aumentar o ressarcimento aos Estados das perdas de receitas decorrentes da Lei Kandir. "O que se pode discutir é o fim da Lei Kandir, mas não o aumento de repasses", disse.
A estratégia de obstrução da votação da Lei Fiscal partiu do governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB-SC)
no encontro de sexta-feira, em Curitiba, que reuniu 20 governadores. Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei Kandir e Guerra Fiscal estão entre as principais preocupações hoje dos governadores e compuseram o cardápio do encontro.
Arruda diz que os governadores devem deixar de lado as ameaças e pensar o País com "espírito público". "A Lei Fiscal é o instrumento para que o gestor tenha mais responsabilidade", argumenta. Em relação ao governo de Santa Catarina, o tucano relembra que, no momento em que Amin precisou do Senado, "nós lhe demos ajuda com a aprovação da renegociação da dívida do Besc (Banco Estadual de Santa Catarina), o que permitiu a viabilização do Estado".
Para o líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES), essa ameaça dos governadores não passa de "bravata". "O que eu sei é que seria péssimo para a imagem dos Estados a tentativa de barrar a lei no Senado."
Os governadores reúnem-se também com líderes governistas e com os presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).