Artesanato trata seqüelas de derrame
O securitário Delcínio Perez Zanardelli, de 58 anos, sofreu de um acidente vascular cerebral (AVC) há três anos, e ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado. A cabeleireira aposentada Sônia Regina Costa Sisti, de 45 anos, teve um AVC há quatro anos que afetou sua fala. Os dois fazem parte de um projeto em Londrina de reabilitação física de média complexidade, em convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). O que difere esse projeto dos demais é que além da fisioterapia e de outros procedimentos médicos, o artesanato faz parte do tratamento.
O médico fisiatra especialista em reabilitação Angelo Aparecido Sella, coordenador do projeto, explica que sequelas de AVC, de doenças neurológicas e ortopédicas, causam grande mudança na vida das pessoas - elas passam a acreditar que ficaram incapacitadas, e se afastam do trabalho e do convívio com amigos e familiares. Por isso, a oficina de artesanato é uma forma de resgatar a auto-estima e a autonomia do paciente, de maneira que ele perceba que ainda pode produzir, criar, desenvolver novos talentos.
O próprio fato do paciente ter mais atividades e de ter enriquecido as relações sociais também ajuda a melhorar o modo como convive com a dor. ''A dor deixa de ser o fato mais importante, para se tornar um elemento a mais na vida, competindo com outros elementos de prazer'', ressalta a neuropsicóloga Sônia Regina Liboni Sella, que também faz parte do projeto.
Há quase dois meses praticando pintura em madeira, Zanardelli comemora os resultados: ''No grupo cada um tem um problema diferente, mas a gente conversa, brinca e isso anima as pessoas. Sozinho é mais difícil''. O artesanato também ajudou Sônia a vencer a timidez: ''por causa do problema na fala tinha vergonha e não conversava. Hoje, não, nem ligo (para o problema) e melhorei bastante''.(C.P.)





