Arte retrata cotidiano de menores
Agência Estado
Cento e dez bonecos entre cinco mil sacos de lixo, sobrevoados por urubus de plástico. Dessa forma o carnavalesco Joãosinho Trinta retratou a situação de 50 mil crianças que trabalham em lixões em todo o Brasil. A obra, exposta sobre o Túnel Novo, na zona sul do Rio, foi inaugurada ontem, durante o lançamento da campanha Criança no Lixo, Nunca Mais, do Unicef, órgão das Nações Unidas para a infância, que com outras 30 instituições forma o Fórum Nacional Lixo e Cidadania.
Os dados do Unicef revelam que 30% das 50 mil crianças estão em idade escolar, mas nunca foram à escola. Elas ganham entre R$ 1,00 e R$ 6,00 por dia de trabalho, indispensáveis para a sobrevivência familiar. Muitas moram em casebres nos próprios lixões. As crianças separam vidro, alumínio e papelão para reciclagem e recolhem restos de comida para consumo. Nesses locais ficam sujeitas a tétano, febre tifóide, tuberculose, leptospirose, diarréias e doenças gástricas, entre outras.
A meta do Unicef é erradicar a mão-de-obra infantil em lixões até 2002. O Unicef quer que os prefeitos se comprometam a transformar os lixões a céu aberto em aterros sanitários, cujo solo é impermeabilizado para evitar que o lençol freático seja contaminado e o gás emitido pelos dejetos é canalizado e comercializado. Outra solução seria a organização dos catadores de lixo em cooperativas.
O carnavalesco Joãosinho Trinta precisou da ajuda de alpinistas para construir o lixão cenográfico. Trinta artistas plásticos usaram madeira, fibra de vidro e lixo coletado nas ruas do Rio para fazer a instalação. Ver crianças revirando o lixo, se alimentando de dejetos, ofende a dignidade humana, afirmou Joãosinho. Dói no coração da gente saber que há milhares de crianças que deveriam estar na escola, mas vivem no lixo.





