Agentes da Delegacia da Polícia Federal de Londrina apreenderam na tarde de ontem um arsenal formado por fuzis, metralhadoras, pistolas, granadas e milhares de munições que estava escondido numa chácara nos arredores de Cambé (13 km a oeste de Londrina). No local, foi instalada uma fábrica de munição. O armamento pertencente ao comerciante C.S.A., 38 anos, seria repassado a traficantes do Rio de Janeiro, o que indicaria que a região é rota para o tráfico internacional de armas.
O delegado da PF, Élcio Henrique Fuscolin, detalhou que as investigações começaram há seis meses. No início da tarde de ontem, os agentes aproveitaram que o comerciante saiu de casa com a mulher e abordou o casal no trânsito, pois tinham a informação de que o suspeito circulava desarmado. ''Ele já praticou tiro com agentes federais e sabíamos que ele era um excelente atirador'', comentou um agente.
Feita a prisão, o ''armeiro'' levou os policiais federais até uma chácara alugada que funcionava como fábrica de munição e paiol para armazenar as armas. Todo o arsenal foi encontrado num dos quartos da casa. No local, foram apreendidas 13 pistolas com carregadores, cinco submetralhadoras, quatro granadas defensivas, um revólver e uma metralhadora ponto 30 da 2 Guerra Mundial, estimada em pelo menos US$ 10 mil.
Além disso, a Polícia Federal apreendeu também diversas prensas que serviam para fabricar munições dos mais diversos calibres e ainda 400 quilos de chumbo, usados para ''encher'' os milhares de projéteis entre eles balas traçantes e incendiárias. Com a continuidade das investigações, os policiais apreenderam mais dois fuzis e uma carabina com mira telescópica em uma residência em Londrina.
Fuscolin informou que o armamento fabricado em países europeus, Israel e Estados Unidos era comprado no Paraguai e entrava no país pela fronteira com Foz do Iguaçu. De lá, vinha para Londrina. Uma pequena parte das armas, segundo o delegado, abastecia o mercado regional enquanto a grande maioria principalmente as metralhadoras e fuzis eram repassadas para facções criminosas do Rio de Janeiro. ''Já conhecemos os antecedentes, ou seja, de onde vinham as armas. Falta agora, descobrirmos onde ele as entregava no Rio'', comentou.
O delegado comentou que a prisão do comerciante indica que a região, além de ser rota do tráfico de drogas, também alimenta o criminoso mercado internacional de armas. A apreensão de ontem, segundo Fuscolin, foi uma das maiores já feitas no Estado e, talvez, no sul do país.
O ''armeiro'' preso, segundo a Polícia Federal, era um exímio conhecedor de armas e já teria sido proprietário de uma empresa de vigilância na região. O comerciante, a esposa e uma irmã dele foram presos e autuados pelo crime de tráfico internacional de armas. Ele já havia sido preso por porte ilegal de armas. O arsenal será encaminhado para perícia e depois remetido à Justiça Federal.

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