Brasília, 27 (AE) - A CPI do Sistema Financeiro mudou hoje de comando: saiu das mãos do senador Bello Parga (PFL-MA) para o controle formal do ex-líder do governo e tucano, senador José Roberto Arruda (DF), no depoimento do ex-diretor do BC Claudio Mauch. A substituição oficial foi decidida para ocorrer por um ou dois dias, mas o clima de mistério em torno da ausência de Bello Parga, hoje, e da notícia de sua viagem por motivo de doença, aumentou a expectativa de que ele poderá ser afastado definitivamente da presidência da comissão.
Parga foi hoje a São Paulo para submeter-se a exames no Instituto do Coração, segundo informou o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). A recomendação foi feita no sábado (24) pelo chefe do serviço médico do Senado, Cid Nogueira
depois de Parga ser atendido por um dos médicos da Casa. Depois de trabalhar na manhã e na tarde de sábado, Bello Parga sentiu-se mal.
Hoje, o gabinete do senador e sua família informavam que ele havia se ausentado para ir ao Rio de Janeiro, resolver questões pessoais. Na noite de ontem (26), Parga também não se sentiu bem, depois de horas de confusão na CPI provocada pela recusa do ex-presidente do BC Francisco Lopes de depor, situação que levou Bello Parga a decidir pela prisão da testemunha.
O presidente da CPI circulava pelos corredores do Senado
hoje de manhã, afirmando a amigos que estava muito bem. Mas ao meio-dia ligou para o vice-presidente da CPI, senador Arruda, e chamou-o a seu gabinete, onde também estava o relator da comissão, João Alberto (PMDB-MA). "O senhor pode se preparar para assumir a comissão hoje", informou Bello Parga a Arruda.
"Está tudo bem com você?", perguntou o tucano. "Tudo bem, estou apenas um pouco tenso", respondeu o senador, avisando que teria de se ausentar de Brasília para tratar de questões pessoais, por um ou dois dias.
A forma como Bello Parga conduziu a reunião em que a CPI pretendia tomar o depoimento de Francisco Lopes foi criticada por alguns senadores, reservadamente. Um dirigente político no Senado comentou com colegas que o fato de o senador maranhense não ter experiência com CPIs pode prejudicar os trabalhos da comissão que investiga os bancos. Bello Parga tem mostrado empenho e gosto pelo trabalho. Mas a sua postura na audiência pública de segunda-feira, e a demora por determinar a prisão do ex-presidente do BC foi interpretada como falta de firmeza do senador e provocou as críticas de alguns colegas.

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