Arruda diz que governo não é contra projeto de ACM
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por César Felício 
Brasília, 06 (AE) - O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), afirmou hoje que a proposta do presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), de criar um fundo para a erradicação da pobreza, não será combatida pelo governo. Ele reconheceu que o Poder Legislativo está estabelecendo uma pauta de trabalhos paralela à que os líderes governistas estão apresentando, mas disse que isto não compromete os planos do governo na Câmara e no Senado neste segundo semestre. "Não existe dicotomia entre os objetivos do Congresso e do governo. O projeto de ACM é absolutamente compatível com a agenda que o presidente Fernando Henrique Cardoso está propondo", afirmou Arruda.
Sem entrar nos detalhes da proposta de ACM, Arruda reconheceu que a atuação do governo federal na área social foi falha. Ele afirmou que "o projeto de ACM tem a coragem de dizer que a ação social do governo não é suficiente para vender o problema". O líder governista disse ainda que "chegou o momento em que é preciso questionar o que estamos fazendo porque o neoliberalismo está falindo no mundo inteiro".
Apesar do tom de recriminação, o líder disse não se tratar de uma autocrítica do Palácio do Planalto: " É apenas uma questão de momento. Nos anos passados, era o momento de cuidar da estabilidade, e agora é o momento de se resgatar a dívida social."
A proposta de ACM tem boas chances de mobilizar o segundo semestre no Senado, já que a agenda de prioridades do governo é pequena. Este mês, Arruda disse que a base será mobilizada apenas para a aprovação de uma emenda constitucional que estrutura o já criado ministério da Defesa e para o projeto de lei que cria a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Para o próximo mês, a base governista deve votar um projeto instituindo a política nacional de turismo. São todas matérias já votadas pela Câmara que devem apenas ser referendadas pelo Senado.
Ainda não há definição por parte do governo sobre como deverá ser tratada a reforma política, que está tramitando no Senado. Para o líder do governo no Senado, é natural que o Congresso estabeleça uma pauta de prioridades distinta da do governo neste momento. "Estamos em um momento difícil. Os parlamentares estão acabando de voltar de suas bases e recolheram um sentimento de insatisfação popular", afirmou, acrescentanddo que "é natural, portanto, que ele proponha medidas". Para o senador, tanto o governo quanto a sua base aliada no Congresso "estão vivendo uma freada de arrumação, porque existem problemas a serem resolvidos". De acordo com Arruda, a raiz destes problemas está no ajuste fiscal que diminuiu a capacidade do governo de atender o pedido de aliados por investimentos. "É mais difícil administrar a escassez do que a abundância", disse.


