Arrozeiros gaúchos ameaçam bloquear entrada do arroz argentino
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domingo, 01 de agosto de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 2 (AE) - Com os preços do arroz gaúcho empurrados para baixo devido à importação do similar argentino - com preços mais baixos -, os arrozeiros do Rio Grande do Sul poderão barrar a entrada no País de caminhões com arroz da Argentina. Eles se reúnem na quarta-feira em Itaqui, município da fronteira sudoeste, para confirmar ou não a organização do bloqueio.
"Do jeito que está, não pode ficar. Precisamos da imposição de um sistema de cotas ou algo parecido", reivindicou o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). "O Mercosul é um péssimo negócio para nós", definiu ele.
Com a maior produção de sua história - 5,3 milhões de toneladas -, o Rio Grande do Sul negociava seu arroz por R$ 17 00 a saca de 50 quilos no final do mês passado e, hoje, tem de vendê-la por R$ 13,30. "Não sei se é dumping, se é subsídio, mas sei que o custo de produção deles é maior do que o nosso", garantiu Paz, para quem o comportamento traduz "uma concorrência que não é leal".
Ele notou os produtores argentinos estão ampliando sua produção - de 1 milhão de toneladas em 1998 para 1,6 milhão neste ano - apenas para disputar o mercado brasileiro. "O mercado interno deles é pequeno porque seu consumo per capita é de cinco quilos por ano, enquanto o nosso é de 60 quilos por habitante/ano", comparou. "Só visam o nosso mercado."
Paz acentuou que os arrozeiros gaúchos - o estado responde por metade da produção total do Brasil e por 80% da colheita do tipo agulhinha - semearam 960 mil hectares na última safra. "Nunca se plantou tanto", estimou. Queixou-se da falta de política agrícola nas últimas administrações, acusando-as de serem irresponsáveis.
Prevaleceu, segundo ele, "a idéia medíocre" de importar alimentos que poderiam ser produzidos dentro do próprio País, além da falta de controle dos preços dos insumos. "Em 1998, a tonelada de adubo era de R$ 270,00. Hoje, está em R$ 450 00 e nem tudo é explicado pela desvalorização, porque nem todos os componentes do preço do produto são dolarizados", exemplificou.
A Federarroz reúne 34 associações de arrozeiros e seu protesto não pretende se esgotar em um possível bloqueio das importações. "No dia 11, partiremos em um movimento nacional de produtores, o Caminhonaço, rumo a Brasília". No Rio Grande do Sul, os ruralistas sairão de Erechim, no Alto Uruguai.
Indústria - Preocupado com os riscos a que estaria submetido o Mercosul devido às divergências entre Argentina e Brasil, um grupo de industriais gaúchos começou a buscar uma proposta para conciliar os interesses das partes. "Precisamos chegar a um acordo", observou um dos vice-presidentes da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Hélio Wosiak.
O grupo, composto pelos vices da Fiergs, deverá reunir-se novamente amanhã (3) à noite, buscando sugerir algum encaminhamento. Até hoje à tarde, porém, Wosiak assegurou que nada havia de concreto para propor. "Tenho a impressão de que haverá uma negociação. Acho que é algo como uma briga de casal"
minimizou.


