São Paulo, 20 (AE) - A arroba do boi pode chegar a R$ 45,00 em um mês, o que corresponderá a um aumento de 12% sobre os preços praticados hoje. A previsão é do consultor agropecuário José Vicente Ferraz, da FNP. A carne bovina tem sido um dos maiores fatores de pressão do IPC da Fipe. Desde agosto, quando teve início a entressafra, a carne já subiu 19%. Segundo Ferraz, os preços atingirão seu pico na terceira semana de novembro e permanecerão altos até o final do ano. Em janeiro e fevereiro, a arroba deve começar a cair.
Ferraz explicou que as altas consecutivas no preço da carne bovina no varejo, que vêm pressionando os índices de inflação, são causadas pela redução da oferta de gado para abate, consequência das más condições das pastagens, castigas pela estiagem que ocorreu durante o inverno e pela falta de chuvas regulares nas últimas semanas em algumas regiões do país. Além disso, muitos pecuaristas, em função das crises internacionais que atingiram o Brasil neste período nos dois últimos anos, ficaram descapitalizados e reduziram o número de bois em confinamento e semiconfinamento.
O consultor acrescentou que a oferta no mercado interno caiu também em função do aumento das exportação, após a desvalorização cambial de janeiro. Ele estima que o volume de carne vendida ao comércio exterior pode registrar um aumento de 60% este ano com relação a 1998. Simultaneamente, as importações, que normalmente servem para equilibrar o mercado interno, também caíram.
Na sua avaliação, o recente aumento da moeda norte-americana não terá impacto imediato nas cotações do boi gordo, mas possivelmente mexerão novamente com os preços na medida em que deve alavancar exportações.

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