"Arrependido" pode desvendar assassinato de Argaña
Assunção, 07 (AE-REUTERS) - Um pistoleiro "arrependido", que se entregou à Justiça temendo ser morto numa operação de queima de arquivo, pode ser a chave para resolver o assassinato do vice- presidente paraguaio, Luis María Argaña, ocorrido dia 23.
A Rádio Uno, de Assunção, informou hoje (07) sobre a existência da testemunha, acrescentando que ela está sob responsabilidade do juiz encarregado do caso. Ainda segundo a rádio, as fontes judiciais ouvidas pela emissora não deram detalhes sobre o "arrependido" para não prejudicar as investigações.
Argaña foi morto por vários tiros perto do centro de Assunção depois de seu carro ter sido fechado por um Fiat Tempra, provavelmente roubado em São Paulo, do qual saíram disparando três ou quatro homens que vestiam uniforme militar. O vice-presidente recebeu dez tiros. No atentado, morreu também o segurança de Argaña.
Um dos assessores jurídicos do novo governo paraguaio, Jorge Vasconcellos, assegurou à Rádio Uno que a testemunha existe, mas também não quis dar mais detalhes sobre o assunto.
Também hoje, ante um tribunal do Paraguai, a viúva de Argaña, María Teresa Contreras, acusou diretamente o ex-presidente Raúl Cubas e o aliado político dele, o general da reserva golpista Lino Oviedo, de terem planejado o assassinato.
Argaña era inimigo declarado de Cubas e Oviedo e sua morte causou violentos protestos de rua que resultaram na morte de sete pessoas (a sétima vítima morreu hoje, depois de agonizar por duas semanas), a renúncia do presidente e a fuga do general para a Argentina, onde recebeu asilo político.
Cubas asilou-se no Brasil e vive num apartamento de sua propriedade em Camboriú (SC).





