Arrendatários assumirão dívida trabalhista do Mappin-Mesbla
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Gustavo Alves ATENÇÃO EDITOR: Essa matéria substitui e corrige a anterior 
Rio, 7 (AE) - A JC Penney, a Riachuelo e os Supermercados Pão de Açúcar devem dividir o arrendamento de 35 das 41 lojas do Mappin e da Mesbla em funcionamento, informou hoje o diretor do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) José Luís Osório. As duas cadeias de lojas estão interessadas em assumir 33 estabelecimentos, e a rede de supermercados já acertou o arrendamento das lojas do Mappin em Itaim-Bibi e na Praça Ramos de Azevedo, no Centro.
Osório contou que o administrador da rede, José Paulo Amaral, terá 48 horas para decidir se aceita a proposta da Riachuelo e da J.C. Penney.
O contrato de arrendamento pelo Pão de Açúcar deve ser assinado na segunda-feira, informou a integrante da comissão de funcionários da rede, Maria de Lourdes Alves Silva.
"Em 60 dias, esperamos ver a marca Pão de Açúcar nas duas lojas", afirmou o diretor do BNDES, que reuniu-se hoje de manhã com a comissão, sindicalistas e o deputado federal Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP) para tratar do assunto. Maria de Lourdes e Osório contaram que outra loja da rede administrada por Amaral, em Belém (PA), foi vendida para uma empresa paraense
cujo nome não souberam informar.
Segundo o BNDES, a Riachuelo está interessada em 10 lojas no Nordeste e Norte do País e mais uma localizada em Campinas. O objetivo da JC Penney é arrendar 22 estabelecimentos entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul. Ao contrário do Pão de Açúcar e da JC Penney, a Riachuelo não pretende ter financiamento do BNDES para investir nas lojas que assumirá, afirmou Osório, responsável pelas áreas de privatização e da empresa de participações do banco, o BNDESpar, dentro da instituição.
As três cadeias assumirão as dívidas trabalhistas de cada uma das lojas da rede Mappin-Mesbla que assumirem, informaram os participantes da reunião. Os funcionários não têm o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) depositado desde dezembro, e sua contribução previdenciária não é descontada desde maio de 1998.
"As dívidas da empresa vão ficar com o (Ricardo) Mansur", afirmou Medeiros, referindo-se ao empresário que uniu as duas cadeias de lojas, que quebraram em seguida. Somente de débitos trabalhistas, a empresa deve cerca de R$ 40 milhões, segundo Medeiros. As estimativas de mercado são de que a dívida total da Mappin e da Mesbla chegue a R$ 1 bilhão. Segundo Osório
com o BNDES, o débito é de R$ 11 milhões.
Ao assumir as lojas do Itaim-Bibi e da Ramos de Azevedo, o grupo Pão de Açúcar comprometeu-se a manter os 820 postos de trabalho existentes nos estabelecimentos. Mas o vice-presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patar, que esteve na reunião, previu que novas vagas podem ser criadas no segundo semestre, com o reaquecimento do comércio por causa do Natal.
A JC Penney, norte-americana, havia comprado no ano passado a Lojas Renner, rede de lojas de roupas. O Grupo Riachuelo, com sede no Rio Grande do Norte, tem lojas espalhadas pelo Nordeste e Sudeste do País.
Osório informou que o a rede de supermercados Carrefour também comunicou ao BNDES interesse em arrendar algumas das lojas do grupo, mas não chegou a fazer proposta concreta.
Para o diretor do BNDES, no futuro, seria possível a venda das marcas Mesbla e Mappin, para saldar o restante das dívidas das duas empresas.
Osório informou que os pedidos de financiamento da Pão de Açúcar e da J. C. Penney ainda vão ser entregues com mais detalhes ao banco.
Medeiros lembrou que, com a estratégia de arrendamento, foi possível ao governo agir para manter empregos sem gastar dinheiro público.


