Arrendatário quer indenização por não cumprimento de reintegração
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de agosto de 2003
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Luiziana - O arrendatário da fazenda Baronesa dos Candiais 2, em Luiziana (35 km ao sul de Campo Mourão), Valdomiro Bognar, anunciou ontem que vai entrar com uma ação de indenização contra o Estado pelo não cumprimento da ordem de reintegração de posse da propriedade. A fazenda foi invadida por 200 famílias de trabalhadores rurais sem-tera no final de abril e a ordem judicial de reintegração saiu no mesmo dia.
''Nossa preocupação é que já estamos em agosto, época do plantio de milho e de preparação da terra para a soja'', explica Bognar, que é agrônomo. Ele diz que a cultura de inverno está abandonada na área. ''Não pudemos controlar as pragas da aveia e as ervas daninhas tomaram conta.'' A fazenda tem 244 alqueires, sendo que 120 alqueires são destinados ao plantio. O restante é de área de reservas.
Bognar afirma ainda que investiu mais de R$ 500 mil em equipamentos, incluindo um trator e uma colheitadeira, que estão parados e o prazo do financiamento está correndo. ''Queremos apenas o ressarcimento dos danos'', disse o advogado dele, José Luiz Gurgel. De acordo com ele, o valor da indenização vai depender do tempo que demorar o cumprimento da reintegração de posse. ''Vamos calcular os prejuízos.''
Gurgel chegou a conversar com o secretário de Estado Padre Roque Zimmerman sobre o assunto. O secretário teria pedido paciência aos proprietários. ''Quando um país democrático não cumpre uma ordem judicial e não respeita o direito à propriedade, o nome disso é prenúncio de guerra civil'', disse o advogado. Os sem-terra plantaram bananeiras em parte da área ocupada.
O comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão, tenente-coronel José Rigoni Filho, informou que recebeu da Justiça o pedido de reforço policial para a reintegração, mas que o caso foi enviado para o comando, em Curitiba, que é quem decide a operação. A reportagem da Folha esteve ontem na fazenda ocupada, mas nenhum dos sem-terra presentes estava autorizado a dar entrevistas.


